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o que é retatrutida
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O que é retatrutida?

Há alguns anos, medicamentos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida (vendidos comercialmente como Ozempic e Mounjaro) ganharam destaque no tratamento do diabetes. Ao mesmo tempo, os estudos mostraram que esses remédios também podem promover perda de peso. 

Com isso, cresceu o interesse por essas substâncias e muitas pessoas passaram a utilizá-las apenas para fins estéticos, um fenômeno que levanta importantes questões sobre o cuidado com a saúde. 

Além disso, a pesquisa científica também avançou na busca por novos medicamentos desse tipo. É aí que entra a retatrutida, um medicamento injetável ainda em estudo, mas que já vem despertando bastante interesse e merece atenção e cuidados. 

Aqui você entende o que é retatrutida, como funciona, quais os efeitos e problemas relacionados.

Vamos lá?

Afinal, o que é retatrutida e por que esse medicamento está chamando atenção?

A retatrutida é um medicamento injetável de aplicação semanal que ainda está em fase de teste. Ela atua simultaneamente sobre três receptores hormonais: GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e glucagon. 

Enquanto o Ozempic (semaglutida) atua apenas no GIP, o Mounjaro (tizerpatida) atua no GIP e no GLP-1 e a retatrutida atua no GIP, no GLP-1 e no glucagon, sendo um agonista triplo.

Então, para entender o que é retatrutida, vale conhecer o papel desses três hormônios no organismo.

GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1)

Produzido pelo intestino após as refeições, o GLP-1:

  • estimula a liberação de insulina, ajudando a reduzir a glicose no sangue;
  • reduz a liberação de glucagon, hormônio que estimula o fígado a liberar glicose na circulação;
  • contribui para a sensação de saciedade e pode retardar o esvaziamento do estômago.

GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose)

Também produzido pelo intestino após as refeições, o GIP:

  • estimula a liberação de insulina quando a glicose está elevada;
  • participa da regulação do metabolismo energético e da ingestão alimentar.

Glucagon

  • Produzido pelo pâncreas, o glucagon ajuda a aumentar a glicose no sangue, principalmente ao estimular o fígado a liberar glicose na circulação. 
  • Também participa da regulação do metabolismo energético.
  • Pode reduzir a motilidade gastrointestinal e, no tecido adiposo, diminuir o armazenamento de gordura e estimular sua quebra. 

O efeito da retatrutida pode parecer contraditório, já que o glucagon, quando atua isoladamente, tende a aumentar a glicose no sangue. No entanto, na retatrutida, a ativação do receptor de glucagon ocorre simultaneamente à ativação dos receptores de GLP-1 e GIP. Por isso, o efeito final é mais complexo do que simplesmente “aumentar a glicose”. 

Quais cuidados ter com o uso da retatrutida?

Agora que já sabe o que é retatrutida, é importante falarmos sobre algo muito sério. 

A retatrutida ainda é um medicamento em estudo. Ela ainda não foi aprovada por nenhuma agência regulatória e não está disponível para o público. Atualmente, seu uso está restrito aos participantes dos ensaios clínicos autorizados. 

No entanto, vemos produtos falsificados sendo comercializados como retatrutida, o que traz sérios riscos à saúde. A FDA no EUA e a Anvisa no Brasil, inclusive, já emitiram alertas sobre a comercialização de produtos não aprovados.  

Ainda há perguntas a serem respondidas antes que possamos conhecer plenamente seus benefícios e riscos. 

Além disso, mesmo após uma eventual aprovação, é importante ter em mente que todo medicamento pode apresentar efeitos adversos. No caso da retatrutida, os estudos realizados até o momento apontam principalmente para efeitos gastrointestinais, como náusea, vômitos e diarreia. A redução do apetite e da ingestão alimentar também pode dificultar o consumo adequado de energia e nutrientes, gerando deficiência nutricionais. 

No entanto, ainda precisamos de mais dados para compreender melhor a segurança da retatrutida no longo prazo, especialmente porque ela atua simultaneamente sobre os receptores de três hormônios (GLP-1, GIP e glucagon), atingindo cérebro, pâncreas e intestino.

Agora que você já sabe o que é retatrutida, lembre-se que o cuidado com a saúde vai muito além do peso

É muito importante ter em mente que o uso das canetas injetáveis não deve ser feito de forma indiscriminada. É fundamental que o tratamento seja acompanhado por profissionais de saúde e que o foco não seja na perda de peso em si, mas sim na saúde.

Isso vale não apenas para os riscos de produtos falsificados ou de origem desconhecida, mas também para o uso desses medicamentos com finalidade exclusivamente estética e sem indicação clínica. 

Além disso, é importante lembrar que a perda de peso decorrente das canetas emagrecedoras não significa necessariamente que todas as questões relacionadas à alimentação estejam resolvidas. Quando o tratamento é interrompido, o peso perdido pode ser recuperado, e mudanças na fome, no desejo de comer e no food noise (pensar constantemente sobre comida) podem voltar a aparecer. 

Por isso, o cuidado não deveria estar concentrado apenas na balança. É importante ajudar o paciente a comer melhor, e não simplesmente comer menos; cuidar do sono; encontrar maneiras de lidar com o estresse; e incorporar atividade física de uma forma possível e prazerosa. Esses aspectos fazem parte de uma abordagem que coloca a saúde no centro do cuidado, em vez de transformar o peso corporal no foco do tratamento. 

Quando há indicação no uso das canetas, é indispensável que o uso aconteça com acompanhamento profissional. Afinal, entender o que é retatrutida também significa compreender seus limites, seus possíveis riscos e o contexto em que seu uso pode vir a ser indicado, e não enxergá-la como uma solução rápida para atender às pressões estéticas sobre o corpo. 

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Referência

JASTREBOFF, Ania M. et al. Triple–hormone-receptor agonist retatrutide for obesity—a phase 2 trial. New England Journal of Medicine, v. 389, n. 6, p. 514-526, 2023. 

ROSENSTOCK, Julio et al. Retatrutide, a GIP, GLP-1 and glucagon receptor agonist, for people with type 2 diabetes: a randomised, double-blind, placebo and active-controlled, parallel-group, phase 2 trial conducted in the USA. The Lancet, v. 402, n. 10401, p. 529-544, 2023.

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  1. O que causa transtornos alimentares? Entenda erros cometidos na prática clínica
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