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emagrecer ou perder peso
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Emagrecer ou perder peso? Qual a diferença?

Emagrecer significa reduzir gordura corporal, enquanto perder peso pode envolver perda de água, de massa muscular ou outros fatores. Por isso, nem toda perda de peso representa melhora na saúde.

A sociedade em que vivemos incentiva a perda de peso a qualquer custo e, muitas vezes, confunde saúde com magreza, focando apenas em reduzir o número que aparece na balança. 

Com isso, aparecem muitos pacientes com atitudes que podem fazer mais mal do que bem à saúde, especialmente porque o peso, na verdade, não é o fator mais importante quando se trata de bem-estar.

Mas como lidar com isso no consultório e explicar, de forma clara, se é mais desejável emagrecer ou perder peso?

Neste conteúdo, você vai entender melhor sobre esse tema.

Vem comigo!

Perder peso significa perder gordura?

Quando se fala em emagrecer ou perder peso, é comum associar ambos os conceitos ao número na balança, mas eles não são a mesma coisa. Você pode estar mais leve na balança e não necessariamente ter emagrecido.

O número na balança não indica apenas gordura. Se você acabou de comer, vai pesar mais, pois há alimento no sistema digestivo; da mesma forma, se estiver com a bexiga cheia ou tiver acabado de beber água. Por isso, quando o peso oscila de um dia para o outro, não significa ganho de gordura, pode ser apenas resultado da alimentação do dia anterior ou da hidratação. 

Também é importante lembrar que o peso na balança não é fixo, ele varia conforme diversos fatores, entre eles a alimentação anterior, a função intestinal e o ciclo menstrual — na TPM, por exemplo, tende-se a pesar mais. 

Por isso, é fundamental explicar que quando se fala de emagrecer ou perder peso a balança não “sabe” sobre o paciente. Aquele número não diferencia gordura, massa magra e água; é apenas um valor geral e não deveria ser um fator determinante para definir saúde.

Além disso, também é importante lembrar que a ideia de “peso ideal” está ultrapassada e não deveria ser usada. Ela é baseada no IMC e parte do princípio de que todas as pessoas da mesma altura deveriam ter o mesmo peso, o que não faz sentido. O mais adequado é pensar em um peso em que a pessoa se sinta bem, com saúde, e que possa ser mantido sem grandes esforços.

Emagrecer ou perder peso: por que a balança não reflete a saúde

Emagrecer ou perder peso a qualquer custo pode causar mais prejuízos do que benefícios. Mas, por quê?

Em geral, quando a pessoa adere a uma dieta restritiva ou faz uso de remédios para emagrecer, é provável que no curto prazo perceba resultado na balança, mas isso não significa melhora de saúde, nem manutenção do peso. 

Por exemplo, em uma dieta restritiva o organismo entra em alerta e passa a usar suas reservas para produzir glicose. Nesse processo, há perda significativa de água e de massa muscular. Por isso, quando a pessoa para com a dieta, o peso tende a subir rapidamente.

Esse tipo de emagrecimento rápido não é saudável, pois há maior perda de massa muscular do que de gordura. Assim, mesmo com menos peso, a composição corporal pode piorar, com aumento do percentual de gordura e redução de massa magra. Além disso, o corpo tende a recuperar gordura com mais facilidade do que músculo, o que dificulta a melhora da composição corporal também a longo prazo.

Isso também acontece comumente com as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro e Ozempic. Esses medicamentos são excelentes para o tratamento do diabetes, mas passaram a ser utilizados para perda de peso e também podem levar a uma grande perda de músculo, como mostram os próprios fabricantes desses injetáveis. 

E, como se sabe, perder músculo é perder saúde: isso impacta a força, a funcionalidade e a qualidade de vida. Em pessoas idosas, por exemplo, a perda de massa magra aumenta o risco de quedas e fraturas.

Nesse contexto, é fundamental orientar que o número na balança não deve ser interpretado como sinônimo de sucesso e entender que emagrecer ou perder peso não são sinônimos de saúde. O mais importante é a qualidade da composição corporal e a sustentabilidade dos hábitos ao longo do tempo.

O peso pode ser importante, mas não tanto

O peso ainda ocupa um papel central na avaliação nutricional, sendo considerado obrigatório pelo Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). No entanto, cresce o questionamento: é realmente necessário saber o número exato na balança para conduzir o cuidado?

Nos últimos anos, essa visão tem mudado. As diretrizes canadenses sobre o tratamento de obesidade, atualizadas em 2020, já apontam que o IMC não é suficiente para avaliar a obesidade. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) vem revisando esses critérios, reforçando a importância de considerar outros aspectos, como exames laboratoriais e condições clínicas. 

Ainda assim, em alguns casos, o peso pode ser uma informação relevante, como em transtornos alimentares, especialmente a anorexia nervosa. Nesses contextos, o acompanhamento pode ser necessário, embora muitas vezes seja indicado pesar sem revelar o número ao paciente.

Por outro lado, há pessoas com relação de obsessão com a balança. Nesse contexto, o peso pode se tornar uma grande fonte de insatisfação. Se está acima do esperado, gera frustração; se permanece igual, também; e, mesmo quando diminui, muitas vezes ainda parece insuficiente. 

Por isso, antes de focar no peso, é fundamental compreender como o paciente se sente e qual é a sua relação com a comida e com o corpo. Ao pensar em emagrecer ou perder peso, mais importante do que pesar ou não é entender o significado que esse número tem para o paciente e como ele impacta o cuidado.

Como ajudar pacientes que desejam emagrecer ou perder peso: 4 dicas essenciais

1- Conversar sobre as variações de peso

Quando o assunto é emagrecer ou perder peso, explique ao paciente que nem toda mudança na balança significa ganho de gordura. Muitas vezes, trata-se de hidratação, alimentação recente ou outros fatores do dia a dia.

2- Não parabenizar a perda de peso

Perder peso não é sinônimo de ganhar saúde. Esse tipo de validação pode, inclusive, reforçar comportamentos alimentares pouco saudáveis ou um comer transtornado. O mais importante é concentrar-se em mudanças de hábitos e no progresso, mesmo que aparentemente pequeno.

3- Focar na saúde e não no peso

O objetivo do cuidado deve ser a saúde, que, segundo a OMS, é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”. Isso vai muito além de um número na balança. 

Embora o peso tenha ganhado centralidade no sistema de saúde, ele não é o mais importante. Muitas vezes, pessoas com corpos maiores são automaticamente encaminhadas para dietas restritivas, como se emagrecer fosse sinônimo de cuidado, uma lógica que pode prejudicar o comportamento alimentar e a saúde.

4- Trabalhar a neutralidade corporal

Neutralidade corporal ou body neutrality não significa ignorar o peso, mas entender que ele é apenas um dado — e não o mais importante. A proposta também não é amar o corpo (como sugere o body positivity), mas tratá-lo com respeito, tirando o foco da aparência e direcionando a atenção para tudo o que ele nos permite fazer: andar, correr, respirar, cantar, dançar, abraçar…

É uma forma de reduzir o foco excessivo na aparência e ampliar o olhar para a saúde, considerando-a de maneira mais abrangente.

Lembre-se: emagrecimento é diferente de perda de peso e o mais importante é ganhar saúde!

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Referência

DERAM, Sophie. O peso das dietas: emagreça de forma sustentável dizendo não às dietas. 2. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

Se gostou deste artigo sobre emagrecer ou perder peso, provavelmente vai adorar ler estes posts que separei para você:

  1. Guia Brasileiro de Nutrição em Cirurgia Bariátrica: resumo e pontos-chave
  2. Ultraprocessados e saúde: já pensou sobre?
  3. Você sabe o que é nutrição comportamental? Como ela funciona? Descubra aqui

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