Comportamento alimentar
Comer transtornado
Comer transtornado

Comer transtornado: sinais e como fazer as pazes com a comida

Você sente preocupação em relação ao que vai comer? Pensa demais em comida? Vive de dieta, restringindo alimentos e depois começa a comer demais, entrando em um círculo vicioso de restrição e exagero alimentar, assim como no efeito sanfona?

Bom, esses podem ser sinais de um comer transtornado. Já ouviu falar nesse termo? Vem comigo que, aqui, você vai saber mais sobre o assunto.

O que é comer transtornado?

Comer transtornado é um termo usado para descrever uma relação difícil e desgastante com a comida, que não chega a configurar um transtorno alimentar diagnosticado, como bulimia, anorexia e transtorno da compulsão alimentar. Ainda assim, isso não significa que seja algo inofensivo. Pelo contrário: esse tipo de relação pode gerar muito sofrimento no dia a dia.

O comer transtornado é bastante comum e, em diferentes graus, praticamente todo mundo vivencia esse tipo de relação com a alimentação ao longo da vida. Justamente por isso, ele costuma ser difícil de identificar e, muitas vezes, passa despercebido.

Vivemos em uma cultura que valoriza dietas restritivas, controle do corpo e a ideia de que força de vontade resolve tudo. Nesse contexto, comportamentos ligados ao comer transtornado acabam sendo vistos como normais ou até elogiados. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que “enfiou o pé na jaca” ou que precisa “queimar” o que comeu?

Quais são os sinais de um comer transtornado?

De modo geral, o comer transtornado aparece quando a alimentação passa a ser guiada por regras rígidas e tentativas constantes de controle. Alguns sinais comuns incluem:

  • Contar calorias de forma constante ou obsessiva.
  • Evitar determinados alimentos ou grupos alimentares, especialmente aqueles ricos em carboidratos e gorduras.
  • Classificar os alimentos como “bons” ou “ruins”.
  • Fazer jejuns frequentes ou prolongados com o intuito de perder peso.
  • Pesar os alimentos.
  • Alternar períodos de forte restrição alimentar com episódios de exagero alimentar.
  • Sentir culpa, vergonha, arrependimento ou a sensação de ter “falhado” após comer.
  • Experimentar ansiedade, medo de engordar ou angústia ao consumir alimentos considerados “proibidos”.
  • Tentar compensar o que foi comido com mais restrição alimentar ou com prática excessiva de atividade física.

Com o tempo, a comida deixa de ser apenas comida e passa a carregar um peso emocional enorme. O comer transtornado pode afetar a saúde física, o bem-estar emocional e a relação com o próprio corpo. Reconhecer esses sinais é um passo importante para construir uma relação mais leve, respeitosa e sustentável com a comida.

Comer transtornado x Transtorno alimentar: qual a diferença?

Os transtornos alimentares são condições clínicas reconhecidas, com critérios diagnósticos bem definidos, que variam de acordo com cada transtorno, como anorexia nervosa, bulimia nervosa ou transtorno da compulsão alimentar periódica. 

Por se tratarem de quadros complexos, eles exigem acompanhamento especializado e, na maioria das vezes, o cuidado de uma equipe multidisciplinar, composta minimamente por médico psiquiatra, nutricionista e psicólogo.

Já o comer transtornado não é identificado por um diagnóstico formal. Ele diz respeito à forma como a pessoa se relaciona com a comida no dia a dia. Essa relação costuma ser marcada por estresse, preocupação constante e medo de “errar” ao comer. A alimentação deixa de ser um espaço de cuidado e prazer e passa a ser atravessada por regras rígidas, culpa e vigilância permanente.

Embora não seja um transtorno alimentar diagnosticável, o comer transtornado também pode impactar negativamente a saúde. Por isso, reconhecer essa diferença é fundamental para ampliar o cuidado e promover uma relação mais leve e respeitosa com a comida.

O que fazer para sair deste estado?

Sair do comer transtornado não acontece da noite para o dia, e não existe uma receita única que funcione para todo mundo. Trata-se de um processo, que envolve questionar regras, reduzir a culpa e reconstruir, aos poucos, uma relação mais gentil com a comida e com o próprio corpo. A seguir, estão alguns caminhos que podem ajudar nesse percurso.

1- Filtre as informações que você consome

Nem tudo o que circula sobre nutrição na internet é confiável, por isso não acredite em tudo o que lê sobre alimentação. Vivemos expostos a um volume enorme de conteúdos, muitas vezes contraditórios, alarmistas e cheios de promessas rápidas. Informação demais, sem critério, pode confundir mais do que ajudar. 

Desconfie de fórmulas mágicas, dietas restritivas e discursos que colocam medo na comida. Mesmo entre profissionais da área da saúde, a pressão pelo controle alimentar é grande, por isso, o senso crítico é fundamental.

2- Respeite o seu corpo

Aprender a ouvir os sinais do corpo é um passo importante para sair do comer transtornado. Comer quando está fome, parar quando surge a saciedade e entender que você não precisa agredir o corpo com restrições severas ou exercícios físicos extenuantes faz parte desse processo. Cuidar do corpo não é puni-lo, mas responder às suas necessidades com respeito.

3- Permita-se comer de tudo

Não existe um jeito único ou “certo” de comer, nem alimentos proibidos ou permitidos. Boas escolhas alimentares não são engessadas: elas dependem do contexto, da cultura, da rotina e das condições de saúde de cada pessoa. Comer um brigadeiro de sobremesa pode, sim, fazer parte de uma alimentação saudável. Por outro lado, deixar de sair com amigos por medo de “sair da dieta” pode ser um sinal de alerta para o comer transtornado.

4- Coma com prazer

O prazer é uma parte fundamental da alimentação e da saúde. Nós comemos também por prazer, e isso não é um problema. Pelo contrário: quando o prazer está presente, a tendência é que a saciedade seja maior e a relação com a comida mais tranquila. Comer com culpa, tensão ou medo costuma desconectar a pessoa dos sinais do corpo e dificultar perceber quando já está satisfeita.

Colocar mais prazer no prato e menos culpa nas refeições ajuda a construir uma relação mais leve, sustentável e gentil com a comida. 

5- Ressignifique o comer

Por que a gente come? Certamente não é apenas para alcançar um corpo “assim” ou “assado”. Comer vai muito além da estética. A alimentação está carregada de significados: afeto, cultura, memória, convivência, prazer e cuidado. Muitas das nossas refeições estão ligadas a encontros, celebrações, histórias familiares e momentos importantes da vida.

Quando reduzimos o comer apenas a números, calorias ou regras, perdemos de vista tudo isso. Ressignificar o comer é lembrar que a comida não serve para moldar o corpo, mas para sustentar a vida em todas as suas dimensões. Recuperar esse olhar ajuda a diminuir a culpa, aliviar a pressão e construir uma relação mais saudável e humana com a alimentação.

6- Busque ajuda de profissionais de saúde confiáveis

Além disso, se acha que tem um comer transtornado e que está causando sofrimento, saiba que não precisa lidar com isso sozinho. Procurar ajuda profissional é um passo importante e legítimo nesse processo. Nutricionistas, médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde capacitados podem ajudar a compreender sua relação com a comida.

Por fim, para mergulhar ainda mais no tema do comer transtornado, vale a pena assistir à live que fiz no Método Sophie Canal Pro, no YouTube, com a nutricionista Fernanda Pisciolaro. 

Transtorno alimentar ou comer transtornado

Ela é coordenadora e supervisora da equipe de Nutrição Clínica e dos cursos do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM), do IPq-HCFMUSP, além de membro do departamento de Transtornos Alimentares da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), do GENTA (Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares) e colaboradora do Instituto Nutrição Comportamental.

Saiba mais!

Se gostou desse post sobre comer transtornado, convido você a conhecer o meu curso online Efeito Sophie!

Nele, eu não vou falar sobre as últimas dietas da moda, alimentos milagrosos ou fórmulas mágicas de emagrecimento. Até porque não acredito em nada disso!

A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa. 

Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.

Vamos juntos nessa? 

→ Se inscreva e comece hoje mesmo o curso online Efeito Sophie! ← 

Não é o melhor momento para fazer o curso? Não tem problema! Te convido a ler meus livros O Peso das Dietas, Os 7 pilares da saúde alimentar e Pare de engolir mitos, assistir uma das minhas próximas palestras ou mesmo agendar uma consulta se precisar de um acompanhamento mais personalizado. 

Bon appétit!

Referências

ALVARENGA, Marle et al. Nutrição Comportamental. 2.ed. Barueri – SP: Manole, 2019.

DERAM, Sophie. O peso das dietas: emagreça de forma sustentável dizendo não às dietas. 2.ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.

Se gostou deste artigo sobre comer transtornado, então também vai gostar destes posts que separei para você:

  1. 7 Dicas para Manter uma Alimentação Saudável
  2. Vamos entender o que é food noise?
  3. Obesidade e inflamação: entenda a relação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Comunidade

Um espaço gratuito para aprofundar sua relação com a comida, o corpo e a saúde — para uso pessoal ou profissional.

Artigos Relacionados