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restrição alimentar no diabetes
restrição alimentar no diabetes

Restrição alimentar no diabetes é mito?

Você já recebeu no consultório aquele paciente que convive com o diabetes e se mostra assustado, preocupado e com muito medo de comer açúcar, doces e frutas?

Será que toda essa restrição alimentar no diabetes é mesmo necessária?

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes reforçam que o cuidado com o diabetes não deve ser centrado apenas em restrições alimentares, mas sim em um conjunto de comportamentos de saúde, sempre considerando a realidade, as preferências e o momento de vida de cada pessoa.

Mas como lidar com crenças e ajudar o paciente no consultório?

Aqui você entende melhor.

Vem comigo!

6 mitos sobre restrição alimentar no diabetes 

Primeiro, vou apresentar os principais mitos sobre restrição alimentar no diabetes e discuti-los com base nas Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2022.

Essas diretrizes trouxeram um avanço importante em relação à versão anterior (2019), especialmente no que diz respeito à maior transparência sobre o nível de evidência das recomendações. O documento passa a explicitar com mais clareza de onde vêm as orientações, em quais estudos estão baseadas e qual é a força de cada recomendação.

Apesar desse aprimoramento metodológico, os princípios do tratamento permaneceram semelhantes, com foco em mudanças no estilo de vida, terapia nutricional individualizada e, quando necessário, tratamento medicamentoso.

Vamos lá?

1- Precisa cortar tudo de carboidrato

Um dos maiores mitos sobre restrição alimentar no diabetes é que precisa excluir completamente açúcar ou carboidratos da alimentação. Na prática:

  • A sacarose não é proibida, mas deve ser consumida com moderação.
  • Carboidratos não devem ser eliminados, pois fazem parte de uma alimentação equilibrada.
  • O mais importante é pensar em quantidade, frequência e contexto da refeição.

As diretrizes indicam que o consumo de açúcares adicionados pode estar dentro de um limite de cerca de 5 a 10% do valor energético total, o que mostra que não se trata de “proibição”, e sim de ajuste.

Ou seja: não se trata de cortar um alimento ou nutriente específico, mas sobre olhar para o conjunto da alimentação e para o modo como o alimento será consumido.

Por exemplo: o paciente vai comer um pedaço de bolo de forma rápida e com culpa, ou como parte de uma refeição prazerosa e equilibrada?

2- Adoçantes são a solução

É comum achar que a solução é trocar açúcar por adoçantes. No entanto, o consumo de adoçantes para pessoas com diabetes:

  • Não é obrigatório.
  • Em excesso pode impactar a microbiota intestinal e contribuir para a resistência à insulina.
  • Pode manter o paladar condicionado ao sabor muito doce.

Tanto os açúcares quanto os adoçantes devem ser consumidos com moderação. Por isso, uma estratégia mais interessante é reduzir gradualmente o uso desses alimentos, permitindo uma reeducação do paladar ao longo do tempo. 

De forma prática, se o paciente usa 4 gotas de adoçante para adoçar o café, sugira que experimente usar 2 e vá reduzindo gradualmente. O mesmo vale para o açúcar. Mudanças sustentáveis acontecem aos poucos. Em vez de propor cortes bruscos, o ideal é incentivar uma redução gradual, permitindo que o paladar se adapte com o tempo.

Além disso, é preciso atenção aos produtos diet que, em geral, são alimentos ultraprocessados. Além dos adoçantes, esses alimentos podem apresentar outros aditivos alimentares e não devem ser consumidos em exagero ou como parte da alimentação do dia a dia.

3- A proteína está totalmente liberada

Existe uma ideia comum de que proteínas podem ser consumidas o máximo possível por pacientes com diabetes. Mas isso merece atenção:

  • Excesso de proteína pode impactar a glicemia. Consumir muita proteína em uma refeição pode levar a uma glicemia controlada após 2 horas, mas após 4 horas é comum uma hiperglicemia, sendo, inclusive, necessário um monitoramento mais atento entre os pacientes que decidem seguir uma alimentação low carb.
  • Pode ser inadequado para pessoas com comprometimento renal e, no caso do diabetes, a própria doença pode contribuir para a doença renal.
  • Pode levar ao aumento do consumo de carnes vermelhas, que são ricas em gorduras saturadas e, embora não sejam proibidas, devem ser consumidas com moderação.

4- Alimentação low carb é a mais indicada

Esse é um dos mitos mais difundidos sobre restrição alimentar no diabetes. Porém, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes não recomendam low carb como padrão para o tratamento do diabetes tipo 2.

Algumas pessoas até podem optar por esse padrão alimentar, mas o ponto central é que o melhor plano alimentar é aquele que a pessoa consegue manter no longo prazo.

Existem diferentes padrões alimentares que podem trazer benefícios, como:

  • Mediterrâneo.
  • DASH.
  • Vegetariano.
  • Alimentação saudável e equilibrada em macronutrientes.

Porém, o foco deve estar na adesão e na sustentabilidade, ou seja, no que o paciente consegue fazer, não em regras rígidas.

5- Só precisa se preocupar com a alimentação

Um ponto essencial, e muitas vezes negligenciado, é que o cuidado com o diabetes vai muito além da alimentação.

Inclui:

  • Monitoramento da glicemia.
  • Atividade física (não como punição, mas como cuidado).
  • Manejo do estresse.
  • Relação com a comida.

No entanto, tudo isso precisa ser considerado à luz da realidade da pessoa. A glicemia pode variar por diversos fatores, como ciclo menstrual, infecções e estresse. Além disso, a prática de atividade física nem sempre ocorre no tempo e na intensidade ideais e o próprio estresse pode oscilar e levar tempo para ser manejado. Soma-se a isso o fato de que a relação com a comida é complexa.

Por isso, focar apenas nos resultados pode gerar sensação de fracasso e culpa. Mais importante é compreender como a pessoa está tentando promover mudanças no seu dia a dia.

6- Restringir é a melhor saída

Ao contrário do que muita gente pensa, restrições alimentares rígidas podem gerar um efeito rebote, com:

  • Sensação de privação.
  • Episódios de exagero quando o alimento é permitido.
  • Comer com culpa ou de forma descontrolada.

Isso pode, inclusive, piorar a relação com a comida e dificultar o cuidado, pois a restrição alimentar no diabetes pode gerar um ciclo de “tudo ou nada” – ou como muito doce ou não como nada, que também pode contribuir para um comer transtornado ou até mesmo ser gatilho para transtornos alimentares.

Nesse contexto, o uso de sensores de monitoramento de glicose, embora útil, pode levar a interpretações equivocadas. A pessoa pode perceber que um alimento elevou a glicemia e decidir cortá-lo completamente ou passar a buscar uma glicemia “perfeita”, sem variações, quando, na prática, algum aumento glicêmico é esperado após as refeições.

Fuja desses mitos e coloque o paciente que convive com diabetes no centro do tratamento

Em vez de focar em restrição alimentar no diabetes, coloque o paciente que sofre com esse problema de saúde no centro do tratamento e considere seu nível de prontidão para a mudança.

É comum que profissionais de saúde tenham certa urgência e queiram, em poucas consultas (ou até em um único atendimento) transmitir todas as orientações, esperando que o paciente mude rapidamente seu comportamento. Mas vale refletir: isso é realista?

Pense em um paciente que consome refrigerante diariamente, muitas vezes em grandes quantidades. Esse hábito não foi construído de um dia para o outro, e, da mesma forma, não será modificado de forma imediata.

Em vez de propor cortes bruscos, uma estratégia mais efetiva é incentivar mudanças graduais. Por exemplo, estimular uma maior ingestão de água ao longo do dia, permitindo que, aos poucos, o consumo de refrigerante seja reduzido até se tornar ocasional.

Colocar o paciente como protagonista, respeitar seu contexto e construir mudanças progressivas tende a ser muito mais eficaz do que impor regras rígidas.

Para saber mais sobre restrição alimentar no diabetes, vale a pena acessar a minha comunidade Efeito Sophie e conferir a live que fiz com a nutricionista Daniela Lopes Gomes, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024-2025), além de pós-graduada em Nutrição Clínica, mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento e  Professora e Pesquisadora da Universidade Federal do Pará.

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Após muitos pedidos de profissionais de saúde que entraram em contato comigo, criei a Formação Método Sophie de Terapia Nutricional

Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda não é estudado nas faculdades.

O meu objetivo é apresentar uma Nutrição com Ciência e Consciência e fornecer ferramentas para um atendimento mais personalizado e humanizado, com foco na mudança do comportamento e na construção de uma relação mais saudável com a comida.  

A propósito, tive a honra de formar centenas de profissionais de saúde em mais de 20 estados pelo Brasil, entre nutricionistas, médicos e psicólogos. 

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Referências

RAMOS, Silvia et al. Terapia Nutricional no Pré-Diabetes e no Diabetes Mellitus Tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/5238993.2023-8, ISBN: 978-85-5722-906-8.

CAMPOS, Tarcila Ferraz et al. Terapia  Nutricional  no Diabetes tipo 1. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-4, ISBN: 978-65-272-0704-7.

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  1. Conheça como funciona o Mounjaro e quais os seus efeitos
  2. Terapia nutricional: saiba tudo para oferecer um atendimento revolucionário
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