Você já parou para pensar quanto tempo passamos no celular? Parte desse tempo é dedicada ao trabalho, a resolver pendências ou conversar com amigos. Mas uma boa fatia acaba sendo gasta rolando o feed das redes sociais, quase sem perceber.
O que muita gente não sabe é que os algoritmos das redes sociais não apenas refletem nossos interesses. Eles também ajudam a moldá-los. Em outras palavras, aquilo que aparece repetidamente na sua tela pode influenciar o que você pensa, deseja e até as escolhas que faz no dia a dia.
E isso também vale para a comida. Entender como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação é cada vez mais importante, já que o conteúdo exibido pode despertar vontade de comer certos alimentos, incentivar dietas da moda ou espalhar informações sobre nutrição que nem sempre são confiáveis.
Vamos conversar sobre isso?
Vem comigo!
Afinal, o que são algoritmos?
Apesar de a palavra parecer complicada, a ideia é bem simples. Um algoritmo funciona como uma receita: é um conjunto de instruções que orienta o computador sobre o que fazer em cada situação.
Nas redes sociais, é ele quem decide, por exemplo, quais posts aparecem primeiro no seu feed, quais vídeos serão recomendados, quais conteúdos terão mais alcance e, em alguns casos, até quais publicações terão sua visibilidade reduzida.
Entender como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação começa por compreender esse funcionamento. Na prática, isso significa que o algoritmo tem um papel enorme naquilo que consumimos todos os dias. Ele não mostra todo o conteúdo disponível, mas faz uma seleção baseada em diferentes fatores, como nossas interações, o tempo que passamos olhando uma publicação e aquilo que tende a prender nossa atenção.
Em outras palavras, o algoritmo ajuda a decidir o que você vê, e, quanto mais você interage com um tipo de conteúdo, maior a chance de receber ainda mais do mesmo. Quando o assunto é alimentação, isso pode influenciar desde as receitas e dicas de alimentação saudável até a forma como pensamos sobre comida e saúde.
Imagine que você pesquisou uma receita de brownie ou assistiu a um vídeo sobre jejum intermitente. Pouco tempo depois, seu feed começa a mostrar mais receitas, mais vídeos sobre jejum, depoimentos de pessoas que emagreceram e até conteúdos cada vez mais extremos sobre alimentação. Parece coincidência, mas não é.
O algoritmo identifica aquilo que desperta seu interesse e passa a oferecer cada vez mais conteúdos sobre o mesmo tema. O problema é que ele não avalia se essas informações são confiáveis. Com o tempo, você pode acabar exposto apenas a um tipo de narrativa, sem perceber.
Ver fotos de comida desperta a vontade de comer?
Se você quer entender como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação, vale a pena olhar para um aspecto: as imagens de comida.
A neurociência mostra que diferentes tipos de conteúdo sobre alimentação podem influenciar nosso cérebro, desde simples fotos de comida até publicações que reduzem a alimentação à contagem de macronutrientes ou promovem restrições alimentares.
No caso das imagens de alimentos, pesquisas sugerem que elas podem ativar áreas cerebrais relacionadas à recompensa e ao desejo de comer, produzindo respostas semelhantes às desencadeadas pela presença do alimento real. Isso acontece porque o cérebro nem sempre distingue de forma tão clara uma experiência concreta de sua representação visual.
Estudos realizados com crianças e adolescentes também indicam que a exposição frequente a imagens de alimentos, especialmente de doces e outros alimentos hiperpalatáveis, pode influenciar escolhas alimentares ao longo do dia.
Isso não significa que ver uma foto de bolo fará alguém perder o controle ou que usar redes sociais seja um problema em si. Mas é um convite para refletir sobre a qualidade do conteúdo que consumimos.
Como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação: quando isso merece mais atenção?
Entender como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação também significa perceber quando a exposição ao conteúdo deixa de ser apenas uma curiosidade e passa a afetar a forma como pensamos sobre comida.
Isso pode acontecer quando o feed passa a ser dominado por mensagens alarmistas, como aquelas que falam em “vício em açúcar” ou afirmam que determinado alimento deve ser eliminado da alimentação a qualquer custo.
Essas mensagens costumam parecer convincentes justamente porque apelam para o medo. Mas a realidade é bem mais complexa. O açúcar é um alimento e, dentro de uma alimentação equilibrada, pode fazer parte da vida sem representar um problema.
Já tratá-lo como um inimigo ou uma droga pode ter o efeito contrário ao desejado: aumentar a sensação de proibição, despertar ainda mais desejo e favorecer episódios de exagero. Afinal, quando proibimos um alimento, tendemos a pensar ainda mais nele.
Além disso, nosso cérebro foi programado para prestar atenção a possíveis ameaças. Esse sistema de vigilância foi essencial para a sobrevivência da espécie humana, mas hoje também ajuda a explicar por que mensagens radicais e sensacionalistas chamam tanto a nossa atenção.
Como esse tipo de conteúdo costuma gerar mais engajamento, os algoritmos das redes sociais tendem a distribuí-lo para um número ainda maior de pessoas, criando um ciclo que reforça informações cada vez mais extremas.
É justamente aí que fica mais fácil perceber como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação. Quando o feed passa a reforçar sempre as mesmas ideias, podemos ter a impressão de que elas representam a única verdade ou que todos pensam da mesma forma.
Talvez não seja possível escapar completamente dos algoritmos, mas podemos aprender a usá-los de maneira mais consciente. Vale a pena seguir profissionais de saúde que divulgam informações baseadas em evidências, diversificar as fontes de conteúdo, reduzir um pouco o tempo de tela e, principalmente, desenvolver o hábito de questionar o que aparece no feed.
Saiba mais!
Se gostou desse post sobre como o algoritmo das redes sociais influencia a alimentação, convido você a conhecer o meu curso online Efeito Sophie!
Nele, eu não vou falar sobre as últimas dietas da moda, alimentos milagrosos ou fórmulas mágicas de emagrecimento. Até porque não acredito em nada disso!
A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa.
Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.
Vamos juntos nessa?
→ Se inscreva e comece hoje mesmo o curso online Efeito Sophie! ←
Não é o melhor momento para fazer o curso? Não tem problema! Te convido a ler meus livros O Peso das Dietas, Os 7 pilares da saúde alimentar e Pare de engolir mitos, assistir uma das minhas próximas palestras ou mesmo agendar uma consulta se precisar de um acompanhamento mais personalizado.
Bon appétit!
Referências
KUCHARCZUK, Adam J.; OLIVER, Tracy L.; DOWDELL, Elizabeth B. Social media’s influence on adolescents′ food choices: A mixed studies systematic literature review. Appetite, v. 168, p. 105765, 2022.
SINA, Elida et al. Social media and children’s and adolescents’ diets: A systematic review of the underlying social and physiological mechanisms. Advances in Nutrition, v. 13, n. 3, p. 913-937, 2022.












