Comportamento alimentar

Vamos entender o que é food noise?

Sabe o que é food noise? Já ouviu falar nesse termo? Ele pode ser traduzido como “ruído alimentar” e se refere a pensamentos persistentes e constantes sobre comida. 

Quem relata ter food noise descreve estar sempre pensando na próxima refeição, no quanto comeu, nas calorias ou se exagerou. Muitas vezes, acorda e vai dormir com a mente ocupada por essas preocupações. 

Você se identifica com isso? Quer entender melhor sobre food noise?

Então, continue a leitura!

Afinal, o que é food noise?

O termo food noise é relativamente novo. Segundo um grupo de especialistas, ele foi pesquisado pela primeira vez no Google em 2006, mas só em 2022 as buscas começaram a crescer de forma significativa.

Esse mesmo grupo de pesquisadores publicou um estudo em que definiu food noise como: “pensamentos persistentes sobre comida, percebidos como indesejados e/ou disfóricos, que podem causar danos sociais, mentais ou físicos”.

De forma mais simples, para entender melhor o que é food noise, podemos dizer que se trata de um estado em que a mente fica ocupada de maneira intensa e constante com a comida.

É normal pensar em comida quando estamos com fome ou quando sentimos o cheiro de algo apetitoso. No entanto, no caso do food noise, esses pensamentos aparecem sem motivo aparente, podendo causar sofrimento e atrapalhar a rotina, muitas vezes por gerar desatenção, ansiedade e preocupação excessiva.

Quem sofre com isso costuma descrever como uma “tagarelice mental” ou “ruminação constante” sobre comida. Em outras palavras, um pensamento obsessivo em que a pessoa acorda e vai dormir pensando em comida.

Estar fazendo uma refeição já pensando na próxima, questionar a todo momento se comeu demais ou de menos, se o prato tinha proteína suficiente ou calorias em excesso… tudo isso são sinais de que a pessoa pode estar vivenciando o food noise.

Causas do food noise

Agora que entendeu o que é food noise, talvez esteja se perguntando: o que causa esse fenômeno? A verdade é que a ciência ainda tem mais perguntas do que respostas, já que o tema é relativamente novo e pouco explorado em pesquisas.

Ainda não se sabe, por exemplo, se o food noise pode ser considerado uma resposta natural do corpo humano (algo que todos vivenciam em maior ou menor grau) ou se se trata de uma situação realmente patológica. 

Mesmo assim, tem sido observado que o food noise tende a se intensificar em determinados cenários:

  • Maior exposição ao marketing e à publicidade de alimentos, que despertam gatilhos e aumentam a frequência dos pensamentos sobre comida.

  • Situações de fome fisiológica, quando o corpo precisa de energia, apesar de não se limitar a essa situação.

  • Presença de transtornos alimentares, em que a relação com a comida é desafiadora e pode ser atravessada por diversos sintomas como culpa, ansiedade ou compulsão.

  • No contexto da obesidade e do emagrecimento, especialmente quando há tentativas constantes de controlar o peso.

  • Durante dietas restritivas, que podem acabar estimulando justamente aquilo que se tenta evitar: pensar ainda mais em comida.

Essa última situação é algo que observo com frequência no consultório. Quando o paciente adota uma alimentação muito restritiva, acreditando que isso o ajudará a ter mais controle, o efeito costuma ser o oposto: a comida passa a ocupar grande parte de seus pensamentos, tornando-se uma fonte de ansiedade e frustração. 

Injetáveis é solução para food noise?

A discussão sobre o que é food noise ganhou força recentemente, em parte devido a relatos de pessoas que passaram a usar medicamentos injetáveis, como tirzepatida e semaglutida, comercializados como Mounjaro e Ozempic, e perceberam que esse “ruído alimentar” parecia silenciado.

Muitos relatam que, pela primeira vez na vida, a tagarelice mental sobre comida diminuiu significativamente, trazendo uma sensação de paz para a mente. À primeira vista, isso pode parecer um grande benefício. Mas será que é uma solução sem “custos”? Embora o tema esteja em evidência, ainda há muito a ser investigado, tanto sobre os efeitos dos medicamentos injetáveis quanto sobre o próprio fenômeno do food noise

O que já se observa é que, quando esse “barulho da comida” diminui ou desaparece, a sensação de fome também pode ser silenciada. Para algumas pessoas, isso pode parecer uma vantagem imediata, mas é importante lembrar que a fome não é um inimigo: ela é um sinal fisiológico fundamental, indicando que o corpo precisa de energia para funcionar bem.

Ignorar ou eliminar esse sinal pode trazer consequências, já que sentir fome faz parte da autorregulação natural do organismo e está diretamente relacionado ao equilíbrio da nossa saúde física e mental. Portanto, é essencial ter em mente que os injetáveis têm efeitos colaterais e precisam ser usados com cautela, sempre sob acompanhamento médico. Além disso, eles não são a única forma de lidar com o food noise

Tenho visto com minha experiência no consultório que deixar de lado dietas restritivas, adotar um estilo de vida saudável, consumir mais comida fresca e caseira e construir uma boa relação com a comida e com o corpo — ouvindo os sinais de fome e saciedade, dormindo bem, praticando atividade física prazerosa e regular e gerenciando o estresse — pode ser uma estratégia duradoura para reduzir ou acabar com o food noise.

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A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa. 

Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.

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Referências

DHURANDHAR, E. J. et al. Food noise: definition, measurement, and future research directions. Nutr Diabetes, v. 15, n. 1, p. 30, 2025. 

HAYASHI, D. et al. What is food noise? A conceptual model of food cue reactivity. Nutrients, v. 15, n. 22, p. 4809, 2023. 

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