Não é novidade que pessoas gordas enfrentam muito preconceito em nossa sociedade. No entanto, é ainda mais alarmante perceber como esse estigma recai com força sobre mulheres gordas que desejam engravidar.
Familiares e amigos frequentemente opinam, dando conselhos não solicitados sobre alimentação e perda de peso. Até mesmo profissionais de saúde, como médicos ginecologistas, costumam recomendar a perda de peso a qualquer custo, sem considerar outros aspectos da saúde.
Mas será que é mesmo necessário emagrecer para engravidar?
Vamos descobrir juntas?
Vem comigo!
Perder peso não deve ser exigência para engravidar
Algumas pesquisas indicam que estar com sobrepeso ou obesidade antes da gravidez pode levar a um maior risco para a saúde da mãe e do bebê. O mesmo acontece quando há um ganho de peso excessivo durante a gestação.
No entanto, esses resultados não deveriam justificar o terrorismo que frequentemente recai sobre mulheres que desejam engravidar. Afirmar, mesmo com boa intenção, que é necessário emagrecer para engravidar pode gerar estresse desnecessário e trazer mais prejuízos do que benefícios nesse momento, que já costuma ser repleto de dúvidas e medos.
Para ilustrar essa questão, vou compartilhar a história de uma paciente que atendi em meu consultório.
Ela chegou até mim desesperada. Já tinha um filho e planejava o segundo, mas o ginecologista que consultou disse que ela não poderia engravidar antes de perder 5 quilos.
Mas será que faz sentido um médico determinar algo tão íntimo da mulher? Além disso, por que exatamente 5 quilos? Essa paciente já tentava emagrecer há dois anos sem sucesso e não estava disposta a adiar ainda mais seu desejo de engravidar.
Além disso, ela já havia passado por uma experiência traumática na primeira gestação. Com 17 semanas, ao encontrá-la na sala de espera, o médico disse: “Nossa! Como engordou! Não quero nem te ver”.
Na época, ela seguiu a recomendação de emagrecer antes de engravidar e perdeu 10 quilos. No entanto, acabou ganhando 25 quilos ao longo da gravidez, o que gerou frustração e insegurança.
Quando me procurou, meu objetivo foi tranquilizá-la. Expliquei que não era uma exigência emagrecer para engravidar, mas que o mais importante era construir uma relação de paz com a comida e o corpo. Isso, por consequência, poderia contribuir para um ganho de peso mais adequado durante a gestação.
Essa paciente também apresentava comer emocional, ou seja, usava a comida como forma de lidar com emoções — algo normal ocasionalmente, mas que pode ser prejudicial quando se torna um padrão constante. A terapia nutricional foi direcionada para ajudá-la a se reconectar com os sinais do corpo, respeitando sua fome e aprendendo a lidar com sua vontade de comer.
O resultado? Ela conseguiu engravidar sem a pressão do emagrecimento e viveu uma gestação muito mais tranquila do que a primeira. Além disso, teve um ganho de peso adequado e, principalmente, mais qualidade de vida nesse período tão especial.
Essa história reforça a importância de um olhar mais respeitoso e individualizado para a saúde da mulher, sem reforçar estigmas ou criar barreiras desnecessárias para a maternidade.
Em vez de emagrecer para engravidar, foque na sua saúde
Entendo que a obesidade na gravidez e antes dela pode gerar preocupações, mas recorrer a dietas restritivas pode piorar ainda mais a situação de quem já está com excesso de peso. Foi exatamente isso que aconteceu com a minha paciente na gestação do primeiro filho.
Ela seguiu uma dieta antes de engravidar e conseguiu perder peso no curto prazo, mas, ao longo do tempo, acabou ganhando ainda mais. Isso acontece porque, quando restringimos a alimentação, podemos até notar uma perda de peso inicial, mas, a longo prazo, o corpo percebe essa privação como uma ameaça e ativa o modo “sobrevivência”.
Como resultado, há um aumento da fome e uma tendência maior a armazenar energia, o que contribui para o tão comum efeito sanfona.
Além disso, mais importante do que o peso antes da gestação é ganhar peso de forma adequada durante esse período. E quando digo isso, não estou falando em não engordar na gravidez, até porque o ganho de peso na gestação não é “engordar”, mas sim um processo necessário para a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê.
Por isso, não é indicado fazer dietas restritivas ou emagrecer para engravidar, mas sim buscar hábitos alimentares mais saudáveis. Isso significa comer melhor, priorizando comida fresca e caseira, além de prestar atenção aos sinais do corpo e ao comportamento alimentar, em vez de se apegar aos números na balança.
Ao adotar essa abordagem, a mulher não apenas pode ter uma gestação mais tranquila, como também adquirir hábitos que a acompanharão no decorrer da vida.
No fim das contas, percebemos que há uma vigilância constante sobre o corpo das mulheres, uma pressão estética e um estigma de peso que não as deixam em paz nem mesmo na gravidez. Por isso, minha mensagem é clara: é hora de fazer as pazes com a comida e com o corpo — além de deixar o corpo das mulheres em paz!
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Nele, eu não vou falar sobre as últimas dietas da moda, alimentos milagrosos ou fórmulas mágicas de emagrecimento. Até porque não acredito em nada disso!
A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa.
Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.
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Referência
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. – Rio de Janeiro : Sextante, 2024.
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