Quem briga com a balança já está até acostumado a levar puxão de orelha: do médico, da família, do namorado (a)… “Você precisa fechar a boca”; “tem que emagrecer”; “que tal se cuidar mais?”. Este é o tipo de “recomendação” que eles fazem, quase sempre, na melhor das intenções. Mas será que o peso é o nosso principal indicador de saúde? Será que as pessoas sabem mesmo o que é obesidade e suas verdadeiras implicações?

Quero começar esclarecendo que há polêmica quando se fala da obesidade como doença ou fator de risco. Ainda assim, própria OMS (Organização Mundial de Saúde) descreve a obesidade como uma condição que eleva o risco para doenças crônicas como diabetes do tipo 2, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

No entanto, nem todo mundo que está com excesso de peso deve ser visto como doente. Assim como nem todos os magros devem ser vistos como saudáveis. Nosso corpo é um pouco mais complexo do que isso! Por isso vou começar definindo o que é obesidade, para afastar algumas dúvidas a respeito deste tema.

E vamos também entender, desde já, que obesidade é uma condição evitável! Falarei sobre prevenção mais adiante.

O que é obesidade?

A OMS (2002) define obesidade como um excesso de gordura corporal acumulada no tecido adiposo, com implicações para a saúde.

Para medir a obesidade em adultos (20 a 59 anos), o padrão utilizado é o IMC (Índice de Massa Corporal), que é obtido por meio de um cálculo simples. Basta pegar o seu peso em quilos e dividir por sua altura em metros elevada ao quadrado. Com o resultado em mãos, você confere a classificação:

Exemplo: uma mulher de 1,60 m, pesando 60 kg terá um IMC = 60 / (1,6×1,6) = 23 kgm2

Índice menor que 18,5 = Baixo peso
Índice maior ou igual a 18,5 e menor que 25 = Peso adequado
Índice maior ou igual a 25 e menor que 30 = Sobrepeso
Índice maior ou acima de 30 = Obesidade

Podemos imaginar que este índice bastaria para aliviar os ânimos de quem está em dúvida sobre o que é obesidade, certo? Errado! É preciso olhar para a saúde com um pouco mais de profundidade. O peso não indica saúde. Pense nisso: o atleta cheio de músculo pode pesar mais devido à massa muscular e poderia sim ter um IMC perto de 30….sem ser obeso, certo?

Use este número, sim, para buscar orientação médica se o seu IMC estiver maior do que 25. Mas este é só um ponto de partida, combinado?

O segredo não é restrição/dieta, mas procurar comer melhor. Conheça o Efeito Sophie!

O que mais que conta?

O próprio Ministério da Saúde adverte que o IMC não deveria ser usado como único indicador de saúde, porque existem outros fatores importantes que não passam por esse cálculo. Por exemplo: o IMC não leva em conta a medida da circunferência abdominal, que é um parâmetro de extrema importância para se identificar a gordura visceral.

O acúmulo de gordura no abdômen é um fator de risco relevante para o desenvolvimento de doenças do coração.

O que é saúde?

Se pegarmos, por exemplo, a definição de saúde da OMS (Organização Mundial de Saúde), fica bem claro que peso é apenas mais um indicador, não o principal. “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de afecções e enfermidades.” Perceba que essa definição não passa nem por peso, nem por IMC.

Não estou querendo minimizar o impacto da epidemia de obesidade em todo o mundo. Afinal, mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e 20% dos adultos brasileiros estão obesos, segundo dados recentes.

Mas vamos olhar para a saúde de uma forma mais ampla.

Independente do seu IMC, seja ele alto ou baixo, é importante ter uma vida ativa e se alimentar de forma adequada. E isso não quer dizer que você precisa comer menos, mas sim, comer melhor!

Vamos falar de prevenção?

Dedicarei um artigo à parte para a prevenção contra a obesidade, porque realmente acredito que é um assunto importante! Com hábitos simples e de forma gradativa, é possível criar uma relação tranquila com a comida. Mas quero deixar algumas dicas para que você comece a incorporar no seu dia a dia hábitos mais saudáveis.

A primeira deles é: coma mais comida caseira! Essa é uma das principais formas de se prevenir a obesidade. Se não gosta de cozinhar, busque restaurantes que servem comidinha fresca todos os dias, simples e natural.

  • Dê preferência aos alimentos in natura (legumes, verduras, frutas, arroz, feijão, carnes, laticínios, nozes,castanhas, etc.) e diminua o consumo dos ultraprocessados ( bolachas recheadas, iogurtes saborizados, comidas prontas/congeladas, etc.)
  • Beba mais água menos bebidas doces: essa é uma dica e tanto! Assim você acaba, consequentemente, tomando cada vez menos sucos e refrigerantes, que são muito carregados de açúcar e, por isso, grandes impulsionadores dos quilos extras.
  • Coma com prazer, sem culpa, e sem gula também. Comendo de tudo, mas não tudo, você não passa vontade e nem compromete sua saúde. Fique longe das dietas restritivas. E isso contribui – e muito! para a prevenção dos quadros de obesidade.

Bon appétit!

Agora que já explicamos o que é obesidade, descubra também outros conteúdos que separamos:

Que tal conhecer meu método Efeito Sophie, que ensina a transformar sua relação com a comida e a voltar a escutar os sinais do seu corpo? São seis semanas com vídeos e materiais que vão explicar sobre hábitos alimentares, e como recuperar o prazer de comer. Saiba mais!

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