Comportamento Alimentar

Tratamento medicamentoso para obesidade: quando é indicado?

No Brasil, três fármacos são liberados para o tratamento medicamentoso da obesidade:

  • Sibutramina;
  • Orlistate;
  • Liraglutida.

Particularmente, não incentivo o uso de medicamentos contra a obesidade, mas trata-se de uma opção em determinadas situações.

Assim, se você deseja usar remédios para emagrecer, deve ser bem informado sobre os prós e contras e avaliado por um médico endocrinologista que, de preferência, faça parte de uma equipe multidisciplinar.

Se está interessado nesse assunto, neste post vou explicar melhor as causas da obesidade, como esses 3 remédios atuam no corpo e 3 dicas de cuidados a serem tomados durante esse tratamento medicamentoso da obesidade.

Vamos lá?

Causas da Obesidade

A obesidade é uma condição de saúde caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura. Suas causas são diversas: genéticas, ambientais, socioculturais e comportamentais, conforme podemos ver no infográfico abaixo:

As causas da obesidade

Ou seja, a obesidade é multifatorial, e assim, é importante que seu tratamento seja multidisciplinar, com a atuação de médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos, entre outros profissionais que poderão contribuir para uma melhor qualidade de vida da pessoa com obesidade.

Geralmente a terapia inclui a busca por um estilo de vida mais saudável, com a prática regular de atividade física e mudança de hábitos alimentares, além de intervenções comportamentais.

Além disso, de acordo com o fluxograma de atenção à saúde de pessoas com sobrepeso e obesidade do Ministério da Saúde e outros protocolos, quando a pessoa apresenta valores de IMC entre 30 e 40 kg/m² com ou sem comorbidades, indica-se também o tratamento medicamentoso para obesidade.

Quais remédios são utilizados no tratamento medicamentoso para obesidade?

Aqui no Brasil, três medicamentos são liberados para o tratamento medicamentoso da obesidade, são eles:

1 – Sibutramina

Esse fármaco contra a obesidade atua bloqueando a recaptação de noradrenalina e serotonina, neurotransmissores que têm efeito na ingestão de alimentos, reduzindo o apetite. Por isso a sibutramina é classificada como um inibidor de apetite.

Estudos mostram que a sibutramina não deve ser usada por pessoas que sofrem com doenças cardiovasculares, como doença arterial coronariana ou cerebrovascular e hipertensão arterial.

Apesar de seu uso ser aparentemente seguro para aqueles que não apresentam esses problemas de saúde, alguns efeitos colaterais podem aparecer, como:

  • taquicardia;
  • palpitações;
  • boca seca;
  • insônia;
  • constipação;
  • sudorese e alterações no paladar.

Também existem muitas controvérsias em relação ao uso desses fármacos no tratamento medicamentoso para obesidade, pois os psiquiatras têm apontado para a dependência e associação com consequências psiquiátricas, como a depressão, que parecem pouco abordadas.

2 – Orlistate

Diferentemente da sibutramina, esse medicamento não atua no sistema nervoso, mas sim reduzindo a absorção da gordura ingerida, pois inibe a ação das enzimas (lipases) gastrintestinais que participam da digestão das moléculas de gorduras.

Com o orlistate, a gordura não absorvida é eliminada nas fezes e quando se consome gorduras em excesso pode acontecer efeitos indesejáveis, como urgência fecal.

Ainda que esse medicamento possa contribuir com um menor consumo energético, pois as gorduras são os nutrientes que apresentam alta densidade energética, sabemos que mais importante que contar calorias, é comer normal, como explico no vídeo abaixo:

Além disso, para tratar a obesidade não é necessário eliminar a gordura da nossa alimentação, nem do nosso corpo. Elas não são vilãs. Na verdade, em quantidades adequadas são muito importantes para o bom funcionamento do nosso organismo. Por exemplo, é graças às gorduras que absorvemos vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), que poderão ser menos absorvidas durante o uso do orlistate.

3 – Liraglutida

É uma opção injetável de fármacos para a obesidade. Age aumentando a secreção de insulina quando existe uma alta concentração de glicose circulando no sangue, e retarda o esvaziamento gástrico. Apesar de ser utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, essa medicação também pode ser utilizada por aqueles que não convivem com esse problema de saúde.

Entre as suas reações adversas, estão: náuseas, diarreia ou constipação.

3 dicas para um tratamento medicamentoso da obesidade adequado

Como pode ver, apesar desses medicamentos contra obesidade serem liberados, e ainda que possam ser utilizados como parte de um tratamento, apresentam riscos e consequências que precisam ser levados em consideração antes de decidir segui-lo.

Por isso, trago aqui 3 dicas alternativas ou complementares ao tratamento medicamentoso para obesidade.

1- Não foque no peso

A maioria dos remédios utilizados no tratamento da obesidade busca restringir a ingestão calórica, levando a um déficit energético. No entanto, já se sabe que restrições não dão certo a longo prazo, como mostro nesse vídeo:

Assim, é possível que o medicamento provoque uma perda de peso rápida inicialmente, mas se o foco for apenas no número da balança, existe uma grande chance de você engordar tudo outra vez, o conhecido efeito sanfona, que traz consequências indesejáveis para a nossa saúde.

Assim, é mais indicado um tratamento que busca qualidade de vida, mudanças de estilo de vida e que tem como foco a saúde e não o peso. Até porque, vale lembrar: existem pessoas saudáveis de todos os tamanhos! 

2 – Não veja o remédio como uma fórmula mágica

Muita gente busca uma solução rápida para a obesidade, mas como pode perceber, os medicamentos contra a obesidade não são fórmulas mágicas.

Por si só, não irão proporcionar uma perda de peso sustentável, nem necessariamente mais saúde. Por isso, não devem ser a estratégia principal do tratamento nem devem ser utilizados de forma indiscriminada.

3 – Conte com o apoio de uma equipe multidisciplinar especializada

O tratamento medicamentoso para obesidade apresenta riscos e consequências, por isso seu uso deve ser bem avaliado por médicos especialistas (não tome remédios para emagrecer por conta própria, antes de tudo procure um endocrinologista!) e acompanhado por uma equipe multidisciplinar.

Assim, é possível perceber a real necessidade do uso de certos medicamentos e seguir com um cuidado mais adequado e seguro.

Por exemplo, em diversos protocolos, a sibutramina, um inibidor de apetite, é indicada para pessoas com obesidade, porém, não necessariamente o paciente com excesso de peso apresenta muito apetite.

Na verdade, ele pode ter um metabolismo muito baixo, por já ter feito muitas dietas restritivas e o remédio potencializará isso. Não é só seguir um protocolo, o médico precisa ter conhecimentos e habilidades para avaliar o paciente da melhor maneira.

Por isso, sempre conte com profissionais especializados nos quais você confie!

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Referência

CUPPARI, Lilian. Nutrição clínica no adulto. 4. ed. Barueri – SP : Manole, 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Marco de referência da vigilância alimentar e nutricional na atenção básica. Brasília : Ministério da Saúde, 2015.

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  1. Remédio para compulsão por doces é uma alternativa? Entenda
  2. Como controlar o diabetes com alimentação?
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