Esta foi a semana da conscientização sobre transtornos alimentares nos EUA. O tema: “Everybody Knows Somebody”, em português: “Todo Mundo Conhece Alguém”.

E se este alguém fosse seu filho ou sua filha?

Antigamente, acreditava-se que os transtornos alimentares só aconteciam com “uma menina adolescente”. Este não é mais o caso. Mais homens e meninos, e crianças cada vez mais jovens, estão procurando tratamento para dificuldades ou transtornos alimentares.

Estou atendendo pessoas mais jovens no meu consultório e ouço muitas histórias de pacientes ou amigos engajados em dietas radicais, jejum, vômito autoinduzido ou que tomam pílulas de dieta ou laxantes. Ainda mais assustador é o fato de meninas cada vez mais jovens ficarem preocupadas com o corpo e dizerem que querem ser mais magras. Em vez de brincar ou se concentrar na escola, as crianças estão agora preocupadas com a contagem de calorias. Esta preocupação não é nada saudável!

Os pais devem educar-se sobre os transtornos alimentares e os problemas de imagem corporal e identificar possíveis sinais de alerta para a presença de um transtorno alimentar em sua criança ou adolescente. Da mesma maneira, se um dos pais sofre com um problema de comportamento alimentar, é recomendado que procure ajuda para não compartilhar com os filhos um ambiente distorcido em relação à comida.

Eu escuto muito esta pergunta: “Quando vou saber que preciso me preocupar?”

A maioria das pessoas hoje está “consciente” dos transtornos alimentares existentes. Também sabem o básico de “prevenção”, ou seja, não enfatizar o peso e a aparência, não ficar obcecado com seu próprio peso na frente dos filhos; mas como podem identificar um risco de transtorno alimentar? Como saber se a dificuldade alimentar do seu filho é normal pela faixa etária ou, na verdade, é realmente preocupante?

Aqui estão alguns sinais de que seu filho pode ter um transtorno alimentar:

  • Perda de peso rápida ou flutuações drásticas de peso
  • Preocupação com peso, alimentos, rótulos dos alimentos — e dietas
  • Evita refeições e situações que envolvam alimentos
  • Ingestão excessiva de líquidos ou negação de fome
  • Atividade física excessiva ou muito rígida
  • Isolamento dos amigos e das atividades usuais
  • Mudança no estilo de se vestir, como excesso de roupas para cobrir o corpo ou roupas reveladoras para ostentar a perda de peso
  • Vômitos autoinduzidos ou abuso de laxantes, diuréticos ou pílulas dietéticas

Se você suspeita que seu filho pode ter uma dificuldade alimentar, tente iniciar uma conversa.

Evite fazer acusações e comece fazendo perguntas abertas como: “eu notei que você não tem comido sobremesa recentemente. Há uma razão para você estar fazendo isso?”. Pergunte o que está acontecendo e não tenha medo de falar. Às vezes, os adolescentes vão pensar: “Ninguém notou nada, então eu devo ficar bem”. Seja solidário e apoie seu filho.

Se for difícil comunicar-se com seu filho, tente perguntar aos amigos dele. Os amigos são sempre os primeiros a saber quando há um problema.

Seja firme. Se você está preocupado com a saúde do seu filho e pensa que ele ou ela precisa ver um médico, diga-lhe o que vai acontecer: “esta manhã nós vamos conversar com um médico sobre a sua saúde”.

Intervir o mais cedo possível com um profissional especializado e procurar um tratamento ajuda seu filho a se recuperar mais rápido. Transtornos alimentares são doenças mentais complexas decorrentes de uma variedade de fatores contribuintes, não são culpa de ninguém. Ser capaz de reconhecer os sinais de alerta e se tornar uma parte ativa do tratamento ajudará a fornecer um ambiente propício para o processo de recuperação. É cada vez mais notável a importância da ajuda da família neste processo, e quanto mais cedo a intervenção, melhor o prognóstico.

Da mesma maneira, se você notar que um amigo do seu filho está perdendo muito peso ou não tem um comportamento adequado, fale com os pais dele, eles podem não ter notado ainda.

Artigo originalmente postado no blog do GENTA

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