É normal ver uma criança pequena, ou mesmo entrando na fase da adolescência, preocupada com o tamanho da barriga, com o peso ou se está parecendo “gorda” demais com determinada roupa?

Até pouco tempo atrás eu diria que não. No entanto, estudos alertam para o crescimento da preocupação com a autoimagem e dos indícios de transtorno alimentar infantil.

Vivemos um momento delicado.

Os números de obesidade entre crianças e adolescentes crescem astronomicamente em vários países, ao mesmo tempo em que maioria dos adultos luta contra a balança para se encaixar no padrão estético baseado na magreza.

O papo “dieta” já é tão popular quanto falar de novela! Nas casas, nos salões de beleza, nas escolas, nos clubes…nas academias. Em todo lugar vai ter pelo menos uma pessoa reclamando que está “gorda” e que precisa emagrecer urgentemente.

Isso influencia diretamente as crianças e adolescentes, que estão em uma fase importante de desenvolvimento. Não é à toa que a presença do tema “transtorno alimentar infantil” está cada vez mais presente nas pesquisas científicas e consultórios, preocupando especialistas em todo o mundo.

Como se manifesta o transtorno alimentar infantil?

Não é tão fácil diagnosticar o transtorno alimentar infantil, porque as crianças não costumam apresentar os sintomas clássicos desse tipo de problema. Por isso eu prefiro usar o termo “comer transtornado” ou dificuldade alimentar, pois acho que se aplica melhor nessas situações.

E o que isso quer dizer? Uma dificuldade alimentar é ter uma relação ruim com a comida, que pode se manifestar por meio da recusa de eventos ou situações que giram em torno da mesa, uma preocupação exagerada com o corpo, com o peso e com calorias, além da constante alegação de falta de apetite.

É bom ficar atento a esse tipo de comportamento, pois, quanto antes identificado o problema, maiores as chances de sucesso no tratamento.

Nesse artigo “Meu filho tem transtorno alimentar?”, coloco uma explicação mais completa sobre os principais indícios de um possível transtorno alimentar infantil. Se você suspeita que seu filho pode estar desenvolvendo esse comer transtornado, procure ajuda profissional!

Vamos falar de prevenção?

Basicamente, o que poderia desencadear um possível transtorno alimentar infantil é o ambiente em que a criança ou adolescente está inserido.

Primeiramente, a própria casa, mas também a escola, casa dos amigos e familiares, ou seja, onde ele gasta mais tempo.

Os adultos têm um papel importante no sentido de promover um discurso mais positivo em torno da comida. A infância e a adolescência são fases de transformações importantes, não só do corpo, mas também do ponto de vista comportamental, formação de valores e crenças.

Então, uma simples piada falando que seu filho está “gordinho” ou “barrigudo” pode ser um gatilho para um mal estar frente ao corpo e aumentar o risco de desenvolver um transtorno alimentar infantil. E essa influência acontece mesmo que o comentário ou crítica não seja direcionado a ele.

Muitos pais e mães têm um comer transtornado e levam isso para a mesa de casa…

  • “Não posso comer isso porque estou de dieta”
  • “Isso engorda, estou proibida de comer”
  • “Se eu comer esse doce não vou mais entrar nas minhas calças”

Já falou algo parecido? Às vezes não percebemos o quanto a palavra tem poder. E crianças têm o radar ligado! Então, para prevenir um transtorno alimentar infantil, nada melhor do que mudar a abordagem e a atmosfera da casa: mudar o foco para longe do corpo ou do peso.

Manter uma alimentação familiar equilibrada é um desafio para muitas pessoas. Principalmente quando se envolve uma nova criança no lar. Se você precisa de ajuda para saber como:

  • Lidar com o comportamento alimentar da criança
  • Entender quais as mudanças alimentares são importantes para sua família
  • Planejar uma rotina alimentar que funcione
  • Criar oportunidades para apresentar novas texturas e sabores

Então, acredito que o programa online Efeito Sophie na Alimentação Infantil pode te ajudar.

São quatro semanas de vídeo aulas e materiais onlines divididos em módulos que vão ocupar uma pequena parte da sua semana, mas que te ajudará a ter uma outra postura frente a esse desafio.

De forma prática e com dicas aplicáveis, você irá transformar a alimentação da sua família de forma realista e gradual, sem extremismos. Vamos juntos nessa? Comece agora o programa online Efeito Sophie na Alimentação Infantil!

Dieta restritiva, jamais

Se você, pai ou mãe, não está feliz com sua alimentação e com o próprio corpo, consulte um nutricionista e avalie sua saúde como um todo.

Reveja hábitos. Valorize a comida caseira, o hábito de cozinhar, de sentar em torno da mesa para compartilhar refeições, comendo com calma, discutindo assuntos construtivos, e não a última dieta da moda!

Aliás, dieta restritiva para crianças e adolescentes deveria ser algo proibido!

Elas só contribuem para aumentar o apetite, a culpa ao comer e podem estimular o hábito de comer escondido, que só tende a piorar com o tempo e até evoluir para uma compulsão alimentar mais séria.

As diretrizes da Academia Americana de Pediatria (AAP) são bastante claras nesse sentido, e indicam que dieta restritiva é um dos maiores fatores de risco tanto para obesidade, quanto para transtornos alimentares na adolescência.

Ou seja, a melhor forma de prevenir estes dois grandes problemas é mudar o foco para uma alimentação de mais qualidade, sem privações, respeitando a fome e também sem excesso de produtos ultraprocessados. Com mais comida de verdade no prato!

Crianças e adolescentes precisam de comida para se desenvolver. E precisam também aprender, desde cedo, a se respeitar e ter uma boa relação com o próprio corpo para se tornarem adultos mais seguros e plenos.

Então, faça a sua parte! Ainda que você não tenha filhos, espalhe essa mensagem positiva  por aí!

Bon appétit!

Agora que você já entendeu um pouco mais sobre o transtorno alimentar infantil, veja também esses outros artigos que separei para você:

 

Precisando de dicas para fazer lanches saudáveis para seus filhos? Confira esse vídeo que fiz para o meu canal, ele pode te ajudar:

E você, o que tem feito para manter uma alimentação familiar equilibrada? Comente no espaço abaixo:

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