Os pais são responsáveis por cuidar da alimentação oferecida aos filhos, que possuem suas preferências, aversões e vontades, mas ainda não têm autonomia para fazer suas próprias escolhas alimentares.
No entanto, vejo muitos pais sendo repreendidos porque os filhos estão ganhando peso — como se seu papel fosse o de controlar a alimentação do filho, quase como uma autoridade que “doma” a fome dos pequenos.
Mas será que é assim mesmo? Os pais realmente têm o poder de controlar o corpo dos filhos?
Neste post, vamos refletir melhor sobre esse assunto. Vem comigo!
Seu filho é dono da própria fome
Se você chegou a este post, é provável que esteja preocupado em controlar a alimentação do filho. Mas veja só: o corpo de ninguém deve estar sob o controle de outra pessoa — nem mesmo o das crianças, cuja autonomia ainda está em desenvolvimento. No entanto, isso não significa que elas não tenham vontades ou não percebam quando estão com fome. Elas são donas da própria fome!
Os pais têm muitas responsabilidades, como oferecer uma alimentação de qualidade, estabelecer horários para as refeições e planejar um ambiente alimentar estruturado. Além disso, devem acompanhar, educar e orientar seus filhos sobre escolhas alimentares e a formação do paladar.
Porém, controlar e restringir a alimentação não são práticas benéficas. Pelo contrário, podem ter consequências negativas, aumentando o risco de obesidade infantil, doenças crônicas como diabetes e até comer transtornado.
Um caso real de por que não se deve controlar a alimentação do filho
Vou dar um exemplo para você entender melhor por que controlar a alimentação do filho não é o melhor caminho para que ele tenha mais saúde.
Certa vez, recebi em meu consultório uma mãe aflita por não conseguir controlar a fome do seu filho adolescente, que na época tinha 12 anos. Ela havia levado o menino a um pediatra que foi bastante alarmista, dizendo que, com o ganho de peso que ele apresentava, poderia desenvolver gordura no fígado, obesidade e diabetes. Além disso, o médico colocou toda a culpa na mãe, afirmando que ela não deveria deixá-lo repetir o prato.
A mãe seguiu essas recomendações e o clima na casa se tornou tenso sempre que o assunto era comida. O filho ficava irritado, com fome e começou a comer escondido. A situação gerava sofrimento para todos.
O que esse garoto precisava não era comer menos nem fazer dieta. Dietas restritivas podem ser prejudiciais para um adulto e ainda mais para uma criança ou um adolescente. Nessa fase da vida, o corpo está em pleno crescimento e a restrição alimentar pode causar desregulação: aumenta o apetite, favorece o efeito sanfona e dificulta a conexão com os sinais de fome e saciedade.
Diante disso, em vez de controlar a alimentação do filho, incentivei a mãe a respeitar a fome do filho e a manter uma rotina alimentar estruturada, garantindo refeições em horários adequados. Dessa forma, ele poderia se nutrir de maneira equilibrada, respeitando seu próprio ritmo.
O resultado foi que o garoto levou alguns dias para ficar mais tranquilo e sentir que tinha autorização para comer, repetindo o prato quando desejava, porque entendeu que era o dono da sua fome. E, assim, a paz voltou à mesa da família.
Em vez de controlar, respeite a fome do seu filho
Em vez de focar em controlar a alimentação do filho, podemos adotar um novo olhar, priorizando a saúde e o bem-estar.
Aqui estão seis dicas para ajudar familiares e profissionais de saúde a promover uma relação saudável e de paz das crianças com a comida e com o próprio corpo:
1- Focar na saúde, não no peso
O peso não define a saúde. Crianças precisam de hábitos saudáveis, e não de dietas restritivas, que podem ter efeitos negativos a longo prazo. Restringir a alimentação pode desregular o metabolismo e fazer o corpo entrar em modo de sobrevivência. Além disso, crianças e adolescentes, que estão em fase de crescimento, podem sofrer com deficiências nutricionais.
2- Respeitar a fome do filho
As crianças têm uma boa conexão com seus sinais de fome e saciedade. É importante respeitar esses sinais, em vez de querer controlar a alimentação do filho – evitando forçar que ele coma ou oferecer alternativas mais atrativas fora dos horários das refeições.
Caso seu filho não queira comer, aguarde até a próxima refeição; provavelmente, ele estará com mais fome e se alimentará adequadamente. Se desejar repetir, é um sinal de que seu corpo está precisando de mais energia — respeite esse desejo.
3- Estabelecer rotinas
É fundamental estabelecer uma rotina para os filhos, com horários definidos para as atividades diárias, incluindo as refeições, além de reduzir o tempo gasto em frente às telas (computadores, tablets, televisão).
4- Comer em família
Refeições em família melhoram a qualidade da alimentação e fortalecem os laços familiares. Planejar ao menos uma refeição juntos por dia pode fazer toda a diferença. Comer em família está relacionado ao consumo de alimentos mais saudáveis, como os in natura, e proporciona uma oportunidade para melhorar a alimentação de todos os membros da família.
5- Evitar comentários sobre o peso
Comentários sobre o corpo da criança podem gerar insatisfação corporal e aumentar o risco de transtornos alimentares. Em vez disso, incentive hábitos saudáveis sem focar na aparência.
6- Oferecer mais comida fresca e caseira
Os pais podem facilitar o acesso a alimentos caseiros, planejando refeições e limitando a disponibilidade de ultraprocessados, como bebidas ricas em açúcar. Vale lembrar: esses alimentos não precisam ser proibidos, mas não devem ser a base da alimentação, nem da criança nem dos adultos.
Com pequenas mudanças, é possível promover a saúde das crianças sem recorrer a restrições alimentares.
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Referência
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2024.
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