Já ouviu falar em bioimpedância? Trata-se de um método que avalia quanto o seu corpo tem de gordura, água e massa muscular. Nos últimos tempos, a bioimpedância se popularizou, com equipamentos mais acessíveis e melhor custo-benefício.
No entanto, apesar de ser um método mais completo do que o IMC — que não é capaz de diferenciar gordura, água e músculos — isso não significa que seja o melhor, nem que garanta um cuidado mais humanizado e respeitoso.
Por isso, neste texto, vamos entender o que é a bioimpedância e discutir essas questões com mais profundidade.
Vem comigo!
O que é bioimpedância?
Se você está se perguntando sobre o que é bioimpedância, saiba que esse método funciona de um jeito simples: um aparelho envia uma corrente elétrica muito fraca e imperceptível pelo corpo e mede a resistência que essa corrente encontra ao passar pelos tecidos. E assim consegue estimar a composição corporal — ou seja, quanto do seu corpo é formado por gordura, massa muscular e água.
Isso acontece porque cada parte do corpo conduz eletricidade de forma diferente. A água e os músculos conduzem bem a corrente, enquanto a gordura oferece mais resistência. A partir dessa diferença, e usando informações como altura, peso e sexo, o aparelho faz uma estimativa da sua composição corporal.
É importante lembrar que se trata de uma estimativa, útil como ferramenta de acompanhamento, mas que pode variar dependendo de fatores como hidratação e momento da medição.
Além disso, existem diferentes tipos de aparelhos de bioimpedância. Os mais simples, que usam eletrodos apenas nos pés, dão uma estimativa geral da composição corporal e são indicados para uso doméstico. Já os aparelhos mais avançados, com eletrodos nas mãos e nos pés, analisam o corpo por partes e fornecem informações mais detalhadas sobre gordura, massa muscular e água, sendo ideais para uso profissional.
IMC ou bioimpedância: qual o melhor?
Agora que você já sabe o que é bioimpedância, vamos avançar na discussão. Tem sido cada vez mais comum compará-la ao IMC, já que é um método mais detalhado para avaliar a composição corporal. De fato, ela oferece mais informações, porém, essa comparação precisa considerar outros aspectos.
O Índice de Massa Corporal (IMC) é um cálculo simples que relaciona o peso com a altura. Ele é muito usado por ser prático, barato e útil para estudos com grandes grupos de pessoas.
Mas, quando olhamos para o indivíduo, realmente ele é impreciso. Isso porque o IMC não consegue diferenciar o que é gordura, músculo ou água no corpo. Por exemplo, uma pessoa com mais massa muscular — como atletas — pode ter um IMC elevado e ser classificada como “acima do peso”, mesmo tendo pouca gordura corporal.
Nesse contexto, muitas pessoas recorrem à bioimpedância para entender melhor a composição corporal, e adquirir informações que o IMC não consegue.
Ainda assim, é importante entender que a bioimpedância também não é perfeita. Ela não é considerada o método mais preciso para avaliar a composição corporal, o que chamamos de padrão-ouro. Esse papel fica para o DEXA, um exame de imagem bastante conhecido por avaliar a saúde dos ossos, ajudando a identificar condições como osteoporose, mas que também consegue medir a composição corporal.
O que o cálculo de IMC, bioimpedância e DEXA também não conseguem avaliar?
Quando falamos de ferramentas como o IMC, a bioimpedância ou até exames mais sofisticados como o DEXA, é importante lembrar que todos eles fornecem estimativas numéricas mais ou menos precisas sobre o corpo.
No entanto, a saúde de verdade não cabe em um número. Explicar o que é bioimpedância ajuda a entender como esses aparelhos funcionam e quais informações eles realmente trazem, mas também mostra suas limitações.
Esses métodos até podem ser úteis, mas não conseguem captar dimensões essenciais, como a relação com a comida, o nível de bem-estar, a saúde mental ou o contexto de vida da pessoa. Reduzir a saúde a números pode dar uma falsa sensação de controle, mas ignora o quanto ela é complexa, dinâmica e individual.
Por isso, o cuidado em saúde precisa ir além desses indicadores isolados. É fundamental ampliar o olhar para outros aspectos que também influenciam o bem-estar. Desse modo, o foco deve ser em:
Bons hábitos — com o incentivo a uma alimentação baseada em comida fresca e caseira, valorizando o contexto das refeições, momentos de prazer ao comer e a construção de uma relação mais tranquila e menos rígida com o corpo e com a comida.
Cuidado em saúde respeitoso e humanizado — que envolve se empoderar e desenvolver autonomia sobre a própria saúde, buscando profissionais que ofereçam escuta atenta, considerem a história de vida e realizem uma avaliação clínica verdadeiramente individualizada, levando em conta as necessidades, preferências e possibilidades de cada pessoa.
Em outras palavras, saúde não se resume ao que aparece em um exame ou na balança. Afastar o foco exclusivo do peso é um passo importante para construir um cuidado mais humano, sustentável e centrado no bem-estar real, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais, e não apenas em metas numéricas.
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Referência
LEBIEDOWSKA, Agata; HARTMAN-PETRYCKA, Magdalena; BŁOŃSKA-FAJFROWSKA, Barbara. How reliable is BMI? Bioimpedance analysis of body composition in underweight, normal weight, overweight, and obese women. Ir J Med Sci., v. 190, n. 3, p. 993-998, 2021.
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