Estamos frequentemente insatisfeitos com nossos corpos — especialmente as mulheres — embora os homens também venham demonstrando, cada vez mais, insatisfação.
Diante disso, surgem movimentos como o body positive, que incentiva as pessoas a amarem seus corpos. Mas, sabe… nem sempre estamos prontos para isso. Nem todo mundo consegue se olhar no espelho e sentir amor de imediato — e tudo bem. É por isso que gosto muito de outro movimento: o body neutrality.
Já ouviu falar? Essa abordagem propõe uma relação de neutralidade com o corpo. Ou seja, você não precisa amá-lo, mas também não precisa odiá-lo. A ideia é respeitar o corpo pelo que ele faz por você, sem se apegar tanto à aparência.
Vamos falar mais sobre isso? Vem comigo descobrir o que é o body neutrality.
O que é body neutrality?
O body neutrality surge como uma resposta mais realista e acolhedora ao body positive. Embora este último desempenhe um papel importante ao incentivar o amor próprio, independentemente do corpo que se habita, ele nem sempre contempla quem está lidando com conflitos com a própria imagem. Amar-se pode parecer um passo muito distante para quem cresceu ouvindo que precisava mudar para ser aceito.
Durante muito tempo, fomos ensinados a buscar um padrão de beleza. A mídia, as redes sociais e até mesmo discursos disfarçados de “preocupação com a saúde” reforçam diariamente essas expectativas. Não é simples romper com isso de uma hora para outra. Muitas vezes, o body positive, apesar de suas boas intenções, pode acabar criando outra cobrança: a de ter que se amar.
É nesse ponto que o body neutrality se apresenta como uma proposta mais gentil. Ele não exige que você ame o seu corpo, mas propõe que você o respeite. A ideia é deslocar o foco da aparência para a funcionalidade. Em vez de pensar se o seu corpo é bonito, pense no que ele faz por você: respira, caminha, abraça, dança, canta, sente, existe.
Essa abordagem pode ser muito mais acessível para quem sofre com a insatisfação corporal. Afinal, aceitar o corpo como ele é — sem precisar se convencer de que o ama — já pode ser um alívio imenso. E, aos poucos, essa neutralidade pode abrir espaço para o autocuidado, aquele que considera bem-estar, prazer e saúde integral, e não apenas estética.
A pressão para alcançar um padrão específico de beleza continua forte. Todos os dias surgem novas dietas restritivas e outros métodos extremos que prometem perda de peso rápida – tudo para caber no vestido de noiva, vestir um manequim 38 ou alcançar uma taxa de gordura baixíssima.
Mas o body neutrality oferece uma brecha nesse sistema. Ele convida à reflexão: será que a nossa autoestima precisa estar sempre atrelada à aparência física? E se, em vez disso, a gente buscasse outras formas de se conectar com o corpo — com mais respeito e menos julgamento?
Talvez o primeiro passo para cuidar de si não seja se amar incondicionalmente, mas apenas parar de se odiar. E isso já é revolucionário.
A aceitação é o primeiro passo
Seja no consultório ou nos meus treinamentos, incentivo o body neutrality. Primeiramente, não vejo com bons olhos essa obsessão pelo peso e pelo corpo magro. Magreza não é sinônimo de saúde, tanto que existem corpos saudáveis de todos os tamanhos e formas. Já o peso é um dado, um número na balança e isoladamente não avalia a nossa saúde.
Assim, prefiro olhar para o peso com neutralidade e focar mais na saúde e no comportamento alimentar — ou seja, em como as pessoas comem, e não apenas no que comem ou nas calorias que ingerem. A partir disso, fica mais fácil buscar a aceitação.
Algumas pessoas ainda pensam que aceitar-se é o mesmo que negligenciar o corpo ou fazer apologia à gordura. Mas não é bem assim. Acredito que o verdadeiro problema é a gordofobia, essa sim uma questão urgente que precisa ser enfrentada e combatida.
Aceitar-se é, na verdade, parar de travar uma guerra constante com o corpo e com a balança. É deixar de lado os julgamentos e começar a se enxergar para além da aparência física. É reconhecer que você é muito mais do que o reflexo no espelho.
Isso pode parecer absurdo para muita gente, mas, na verdade, quando nos aceitamos e deixamos de focar exclusivamente no peso, torna-se mais fácil cuidar do corpo e alcançar um peso saudável — aquele que conseguimos manter sem grandes sacrifícios e que faz bem tanto para o corpo quanto para a mente. Esse peso é consequência de hábitos saudáveis.
É por isso que estou sempre reforçando a importância de adotar um estilo de vida equilibrado e comer com mais qualidade. Isso sem dúvidas fará muito melhor à sua saúde em vez da busca desenfreada por perder peso a qualquer custo, com dietas milagrosas, jejuns e outros métodos sem nem ao menos comprovação científica.
Por isso, também é tão importante se questionar: de onde vem esse desejo de emagrecer? Será que ele é realmente necessário?
Como propõe o movimento body neutrality, o foco pode estar em outras qualidades do seu corpo e da sua personalidade. Trata-se de se aceitar de forma genuína, com gentileza e compreensão. Aquilo que você enxerga como imperfeição pode, na verdade, ser o que te torna único.
Cada pessoa é diferente — e é justamente isso que torna o mundo tão bonito. Acolha seu corpo como ele é e aproveite a vida com mais leveza!
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Nele, eu não vou falar sobre as últimas dietas da moda, alimentos milagrosos ou fórmulas mágicas de emagrecimento. Até porque não acredito em nada disso!
A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa.
Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.
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Referência
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2024.
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