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diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade
diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade

Entenda a primeira diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em dezembro de 2025, a primeira diretriz sobre o uso de agonistas do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) no tratamento da obesidade, popularmente conhecidos como canetas injetáveis, como Mounjaro e Ozempic.

Essa publicação é especialmente relevante em um contexto em que esses medicamentos vêm sendo utilizados de forma ampla. A diretriz contribui para orientar a atuação dos profissionais de saúde, ampliar a segurança dos pacientes e fomentar discussões necessárias sobre indicações, limites e impactos desse tipo de tratamento.

Vamos entender melhor o que diz a diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1?

Vem comigo!

O que diz a diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1?

Essa primeira diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1 considera a obesidade como uma doença crônica, progressiva e recidivante — enquanto anteriormente ela era tratada principalmente como um fator de risco. 

A organização destaca que a obesidade não deve ser compreendida apenas como um fator de risco ou como uma condição relacionada exclusivamente ao estilo de vida, mas como o resultado da interação de determinantes biológicos, sociais, comerciais e ambientais.

Desde setembro de 2025, a OMS passou a considerar os medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1 como medicamentos essenciais para o tratamento do diabetes tipo 2 em grupos de alto risco. Agora, a diretriz também os reconhece como uma terapia de apoio para pessoas com obesidade.

O documento aborda o tratamento de adultos (≥ 19 anos) com obesidade, definida como IMC ≥ 30 kg/m², com exceção de mulheres grávidas. A OMS informa ainda que uma diretriz específica para o manejo clínico da obesidade em crianças e adolescentes está em desenvolvimento. 

Os agentes farmacológicos contemplados incluem liraglutida, tirzepatida e semaglutida, princípios ativos dos medicamentos comercializados, respectivamente, como Victoza, Mounjaro e Ozempic.

A diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1 alerta que, embora essas terapias apresentem resultados positivos no tratamento da obesidade e na melhora de desfechos metabólicos, sua recomendação é condicional, em razão das incertezas relacionadas à eficácia e à segurança a longo prazo, bem como à manutenção dos benefícios após a descontinuação do tratamento.

Outra preocupação destacada pela OMS refere-se à equidade no acesso, uma vez que esses medicamentos têm custo elevado, o que reforça a necessidade de estratégias para ampliar o acesso de forma justa e responsável.

Sozinhos, os agonistas de GLP-1 não resolvem o problema da obesidade

A diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1 também destaca que intervenções comportamentais intensivas, que incluem alimentação saudável e prática de atividade física, devem ser oferecidas como parte do cuidado:

“Pessoas com obesidade devem receber aconselhamento adequado ao seu contexto sobre mudanças comportamentais e de estilo de vida — incluindo, entre outras, atividade física e práticas alimentares saudáveis ​​— como um passo inicial para intervenções comportamentais mais estruturadas. Para indivíduos que recebem prescrição de agonistas do receptor GLP-1 ou agonistas duplos de GIP/GLP-1, o aconselhamento sobre mudanças comportamentais e de estilo de vida deve ser oferecido como um primeiro passo para a terapia comportamental intensiva, visando ampliar e apoiar os melhores resultados de saúde”.

Além disso, reconhece que a obesidade não é uma questão individual, mas um desafio social que exige ações em diferentes setores da sociedade. Nesse sentido, a estratégia de enfrentamento da obesidade deve ser pautada em três pilares:

  • Criar ambientes mais saudáveis, por meio de políticas de promoção da saúde e prevenção da obesidade; 
  • Proteger pessoas em risco de desenvolver obesidade e comorbidades, por meio de triagem que direcione para intervenções precoces; 
  • Garantir acesso a cuidados de saúde centrados na pessoa.

Considerações sobre a diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade

A primeira diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1 representa um avanço importante ao oferecer orientações para o uso de agonistas de GLP-1. A própria Organização Mundial da Saúde reconhece, no entanto, que se trata de um tema relativamente recente, que ainda exige mais estudos, acompanhamento de longo prazo e o desenvolvimento de novas diretrizes complementares.

Nesse contexto, é fundamental aprofundar algumas discussões centrais sobre a diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade.

Destaca-se a decisão da OMS de definir a obesidade como uma doença crônica. Embora esse enquadramento possa contribuir para reduzir a culpabilização individual, também pode reduzir a obesidade a um problema estritamente biomédico, favorecer a medicalização excessiva e, paradoxalmente, reforçar o estigma de peso, ao sustentar a ideia de que corpos com obesidade fogem de um padrão considerado “normal”.

Desse modo, esse cenário também pode favorecer o surgimento de conflitos de interesses entre as instituições de saúde e a indústria farmacêutica.

Outro ponto relevante é que, embora a diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade enfatize o papel do tratamento comportamental, o próprio uso de medicamentos agonistas de GLP-1 pode dificultar o trabalho de questões comportamentais relacionadas à alimentação, justamente por silenciar a fome. 

Isso tende a limitar o manejo de aspectos emocionais e contextuais da relação com a comida, que geralmente emergem quando o uso do fármaco é interrompido. Além disso, é comum o reganho de peso após a suspensão do medicamento, o que reforça a crítica de que esses fármacos tendem a atuar sobre o sintoma, e não sobre as causas estruturais e comportamentais da obesidade.

Por fim, para mergulhar ainda mais no tema, vale a pena assistir à live que fiz no meu Método Sophie Canal Pro, no YouTube, com Michelle Momesso. Ela é médica da Família e Comunidade (UNIFESP) e nutricionista (PUCCAMP), com capacitação em Nutrição Comportamental, aprimoramento em Transtornos Alimentares (AMBULIM – IPq USP) e prática clínica focada no cuidado integral e humanizado.

Primeira diretriz da OMS sobre tratamento da obesidade com GLP-1 

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Referência

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guideline on the use of glucagon-like peptide-1 (GLP-1) therapies for the treatment of obesity in adults. Geneva: WHO; 2025.

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