Você já parou para pensar como seus hábitos podem influenciar não apenas sua saúde, mas também a das gerações futuras? Parece coisa de ficção científica, mas essa é a incrível descoberta da epigenética!
Você deve estar se perguntando o que é epigenética. A epigenética é uma área fascinante que investiga como o ambiente e o estilo de vida interagem com a nossa genética, moldando a forma como os genes se expressam.
Alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, estresse e até mesmo a exposição à poluição são fatores que não apenas afetam diretamente o seu bem-estar, mas também podem deixar marcas nos seus genes, sendo transmitidas aos seus filhos e netos.
Mas calma! Isso não significa que seu destino está escrito no DNA. Muito pelo contrário! A epigenética mostra que podemos influenciar a expressão dos nossos genes por meio de hábitos saudáveis.
Quer entender melhor como isso funciona? Vem comigo!
Epigenética: herança genética para além dos genes
Para você entender melhor o que é epigenética, pense no DNA como um livro de receitas, nesse caso, a epigenética seria o chef que decide quais pratos serão preparados. Nossos genes carregam informações fixas, mas o ambiente e o nosso estilo de vida também determinam quais genes serão ativados ou silenciados.
O termo “epigenética” vem do grego “epi”, que significa “acima” ou “fora de”, ou seja, quer dizer que está acima da genética. Antes, acreditava-se que herdávamos apenas o DNA dos nossos pais, mas hoje sabemos que também herdamos padrões epigenéticos, um fenômeno chamado epigenética transgeracional.
Isso quer dizer que as experiências de nossos avós e bisavós podem influenciar a nossa saúde hoje. E, da mesma forma, nossos hábitos atuais podem afetar a saúde das gerações futuras.
Agora que já sabe o que é epigenética…
Gostaria de conversar com você sobre como suas escolhas podem influenciar gerações futuras.
Um dos exemplos mais impressionantes da epigenética vem da Segunda Guerra Mundial, durante a fome que assolou diversas populações, incluindo os Países Baixos. Mulheres grávidas que sobreviveram a esse período foram estudadas ao longo dos anos, assim como seus filhos, netos e bisnetos.
Os resultados foram surpreendentes: esses descendentes apresentaram maior propensão a desenvolver obesidade e diabetes tipo 2. E mais impressionante ainda: os netos e bisnetos também carregavam essa herança epigenética!
Provavelmente, a privação extrema de alimentos durante a gestação alterou a expressão genética e até mesmo a programação do sistema nervoso dos bebês, tornando-os biologicamente mais preparados para armazenar energia e sobreviver à escassez.
No entanto, quando esses indivíduos passaram a viver em ambientes com fartura alimentar, o organismo manteve essa “programação de sobrevivência”, favorecendo o acúmulo de gordura e aumentando o risco de doenças metabólicas.
Assim, quando entendemos o que é epigenética, fica ainda mais claro por que as dietas restritivas são contraindicadas. Mesmo quando voluntárias, essas restrições podem ser interpretadas pelo corpo como um sinal de privação, com consequências que podem se estender por gerações.
Agora, pense no Brasil, um país que historicamente já enfrentou períodos de fome. Se combinarmos essa herança epigenética com o alto consumo de alimentos ultraprocessados, fica mais fácil entender o crescimento dos casos de obesidade e doenças crônicas na população.
DNA não é destino!
A boa notícia é que mudanças no estilo de vida podem trazer benefícios reais para a saúde. Isso envolve não apenas escolher melhor os alimentos – priorizando comida fresca e caseira e deixando os ultraprocessados para um consumo ocasional – mas também prestar atenção em como comemos, ou seja, ao comportamento alimentar.
Respeitar a fome e a saciedade, deixar a culpa de lado no momento das refeições e buscar comer com prazer são atitudes que fazem a diferença. Pequenas mudanças na rotina podem ter um impacto positivo na nossa qualidade de vida e, como vimos, até na saúde das futuras gerações!
Ou seja, mesmo que você tenha nascido em uma família com histórico de doenças crônicas, isso não significa que você ou seus filhos estão destinados a desenvolvê-las. A genética não é uma sentença, e cuidar da saúde hoje é um presente que você pode dar a si mesmo e aos seus descendentes.
Por isso, agora que sabe o que é epigenética gostaria que você visse essa ciência como um incentivo para mudanças positivas, e não como mais um motivo de preocupação. O mundo já está cheio de cobranças, e a saúde não deve ser mais uma fonte de ansiedade.
Sempre haverá dias em que não vamos lidar muito bem com o estresse, que vamos exagerar na comida, dormir mal ou não fazer atividade física. Não se trata de perseguir um estilo de vida perfeito, mas sim de buscar o progresso diante das possibilidades e da realidade de cada um. Pequenos passos na direção certa são mais valiosos do que uma tentativa de mudança extrema que não se sustenta.
Então, que tal começar hoje? Uma refeição gostosa e caseira, uma caminhada ao ar livre ou uma boa noite de sono já fazem diferença. Seu corpo (e as próximas gerações) vão agradecer!
Saiba mais!
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Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda não é estudado nas faculdades.
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Referência
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2024.












