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transtorno alimentar restritivo evitativo
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Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE): por que falar sobre isso

Você conhece alguém que evita muitos alimentos, sente nojo de certas comidas ou tem dificuldade com texturas específicas, como frutas macias, vegetais cozidos ou massas crocantes?

Esses comportamentos, que muitas vezes são vistos como “frescura”, podem, na verdade, indicar a presença do transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) — uma condição reconhecida pela ciência e que vai muito além de simples preferências alimentares.

O TARE é um transtorno alimentar de base mental e comportamental, caracterizado pela evitação intensa de determinados alimentos ou até mesmo pelo medo de comer, o que pode levar à perda de peso, carências nutricionais e impactos emocionais importantes. Ele é mais comum na infância, mas também pode afetar adolescentes e adultos.

Por ser uma condição complexa, o tratamento do TARE deve ser conduzido por uma equipe multiprofissional, geralmente composta por psiquiatra, nutricionista e psicólogo especializados. O acompanhamento adequado é essencial para que o paciente recupere sua nutrição, reduza o medo e reconstrua uma relação mais tranquila com a comida.

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O que é o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE)?

O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) é uma condição de saúde que leva a pessoa a reduzir a quantidade da alimentação, bem como a limitar a variedade alimentar.

No entanto, diferentemente de outros transtornos alimentares, não tem relação com uma distorção de imagem ou tentativa de perder peso.

No caso do TARE, a pessoa pode perder o interesse na comida, sentir ansiedade e medo de engasgar ou vomitar, evitar alimentos com base na cor, sabor, textura ou cheiro.

Assim, algumas das consequências são:

É importante não confundir o transtorno alimentar restritivo evitativo com a seletividade alimentar. A seletividade costuma se manifestar como uma recusa a alguns alimentos específicos, sem comprometer o apetite ou o estado nutricional. Além disso, esse comportamento tende a diminuir com o tempo, à medida que a pessoa é exposta a novos alimentos.

Quem pode desenvolver o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE)?

O transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) pode afetar pessoas de todas as idades — crianças, adolescentes e adultos —, embora seja mais comum durante a infância. A condição ocorre em pessoas do sexo masculino e feminino, sem diferença significativa entre os sexos.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do TARE, como:

  • Ter vivenciado experiências negativas ou traumáticas relacionadas à alimentação, como engasgos, alimentação forçada ou situações de insegurança alimentar;
  • Apresentar condições que afetam o funcionamento ou o desenvolvimento neurológico, incluindo ansiedade, depressão ou TDAH;
  • Manter forte sensibilidade ou aversão a determinadas texturas, cheiros ou aspectos dos alimentos;
  • Sentir medo de que certos alimentos causem mal ao corpo;
  • Possuir histórico familiar de transtornos alimentares ou comportamentos alimentares restritivos.

Como é o tratamento do Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE)?

Em caso de sinais de alerta, como seletividade alimentar, perda de peso, dificuldade de crescimento, ansiedade intensa e impacto social, procure um médico psiquiatra. É esse profissional de saúde que diagnostica o transtorno alimentar restritivo evitativo.

Após o diagnóstico, deve ser iniciado um tratamento com equipe multidisciplinar composta minimamente por médico psiquiatra, nutricionista e psicólogo especializados no tratamento de transtornos alimentares.

Entre as principais metas do tratamento estão:

  • Garantir o aporte nutricional adequado, ajudando o paciente a alcançar e manter um peso saudável;
  • Prevenir complicações físicas e emocionais associadas à restrição alimentar prolongada;
  • Trabalhar questões psicológicas, sensoriais e comportamentais, como aversões a texturas, cheiros ou o medo de engasgar;
  • Aumentar gradualmente a variedade alimentar, sempre respeitando os limites e o tempo de cada pessoa.

Além disso, o apoio das pessoas ao redor é fundamental para o sucesso do tratamento. A família, em especial, desempenha um papel essencial nesse processo, ajudando o indivíduo a retomar o contato com os alimentos de forma gradual e segura. Essa exposição deve acontecer com respeito, paciência e empatia, evitando qualquer tipo de pressão, chantagem ou barganha para que a pessoa coma.

Quanto à psicologia, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais indicadas para o TARE. Essa forma de terapia ajuda o paciente a reconhecer e modificar pensamentos e comportamentos que dificultam a alimentação, além de reduzir o medo e a ansiedade diante dos alimentos. 

Em alguns casos, o médico pode considerar o uso de medicamentos, como antidepressivos, especialmente quando há impacto na saúde mental ou risco nutricional importante. A prescrição deve sempre ser individualizada, levando em conta os possíveis efeitos colaterais e a necessidade de acompanhamento próximo.

Nos quadros mais graves, pode ser necessária uma nutrição enteral temporária — um suporte alimentar oferecido por meio de uma sonda, inserida pelo nariz ou diretamente no estômago/intestino delgado. Essa medida é indicada apenas quando há risco nutricional significativo e tem o objetivo de garantir os nutrientes essenciais até que a alimentação oral possa ser restabelecida com segurança.

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Referências

ALVARENGA, Marle et al. Nutrição Comportamental. 2.ed. Barueri – SP: Manole, 2019.

American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Associação Brasileira de Psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Se gostou deste artigo sobre transtorno alimentar restritivo evitativo, então também vai gostar destes posts que separei para você:

  1. O que é restrição alimentar?
  2. Vamos entender o que é food noise?
  3. Já ouviu falar em estigma de peso?

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