Comportamento alimentar
seletividade alimentar
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O que é seletividade alimentar? Sintomas, causas e tratamento

Você já conheceu alguém que come sempre a mesma coisa ou evita vários alimentos, sendo chamado de “chato para comer”? Esse comportamento pode indicar a seletividade alimentar, um padrão que limita muito a variedade de alimentos consumidos, podendo comprometer a saúde física e mental.

A seguir, vamos entender o que é seletividade alimentar, seus sintomas, causas e como tratar.

Vem comigo!

O que é seletividade alimentar?

De forma simples, podemos conceituar a seletividade alimentar como um comportamento em que a pessoa evita comer um ou mais grupos de alimentos inteiros.

Porém, a seletividade alimentar também inclui vários comportamentos, como: ingerir poucas calorias, recusar certos alimentos, ter manias ou rituais na hora de comer, apresentar dificuldades no momento das refeições, preferir sempre os mesmos alimentos, ter pouca variedade na alimentação ou seguir uma alimentação muito limitada, como evitar laticínios ou alimentos ricos em proteínas.

É totalmente normal ter aversões e preferências alimentares. No entanto, quando se trata de seletividade alimentar, vemos que essas aversões podem levar a uma grande restrição alimentar.

Pessoas com esse perfil, ou seja, seletivas com a comida, podem enfrentar dificuldades, como deficiências nutricionais (por exemplo, falta de ferro, zinco ou vitaminas), em razão de evitarem certos grupos alimentares ou por manterem uma alimentação monótona.

Além disso, podem se sentir ansiosos e apresentar sentimentos conflituosos diante dos alimentos, terem medo de críticas e sofrer com altos níveis de estresse diante da necessidade de escolher alimentos e da possibilidade de reações negativas a cheiros e texturas.

Seletividade alimentar x Neofobia alimentar: qual a diferença?

Pode haver confusão entre os termos seletividade alimentar e neofobia alimentar, mas eles não são a mesma coisa. Enquanto a seletividade está relacionada à rejeição de alimentos já conhecidos, a neofobia é caracterizada pelo medo ou relutância em experimentar alimentos novos. A neofobia alimentar é mais comum na infância, embora também possa persistir na vida adulta. 

Já a seletividade alimentar envolve uma alimentação muito restrita, com preferência por determinados grupos de alimentos e recusa persistente de outros, mesmo que já façam parte da rotina alimentar da pessoa. 

Ambos os comportamentos reduzem a variedade da alimentação, mas diferem quanto ao foco da recusa: no caso da neofobia, trata-se do novo; na seletividade, de alimentos já conhecidos.

Sinais de seletividade alimentar

Embora seja muito comum em crianças, a seletividade alimentar em adultos também pode ocorrer e merece atenção. O problema pode interferir na nutrição, no bem-estar emocional e na qualidade de vida de quem vive com essa condição.

Em resumo, os sinais da seletividade alimentar incluem:

  • Rejeição de alimentos por textura, cor, cheiro ou sabor.
  • Preferência por um número muito restrito de alimentos.
  • Aversão a alimentos ricos em proteínas ou laticínios.
  • Alimentação monótona e repetitiva.
  • Ansiedade ou desconforto na hora das refeições.
  • Medo de críticas ao comer em público.
  • Dificuldades sociais ou familiares em torno da alimentação.

Causas da seletividade alimentar

Diversos fatores podem estar por trás da seletividade alimentar. Confira alguns dos principais:

  1. Sensibilidade sensorial

Pessoas com alta sensibilidade a estímulos como textura, cheiro ou temperatura dos alimentos podem rejeitá-los. Isso é comum, por exemplo, em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que apresentam maior seletividade alimentar devido à hipersensibilidade.

  1. Experiências negativas com alimentos

Engasgos, náuseas, vômitos, dores abdominais ou experiências traumáticas relacionadas à alimentação podem gerar medo e levar à evitação de certos alimentos.

  1. Questões comportamentais e emocionais

A seletividade alimentar pode ser usada para expressar controle, autonomia ou resistência, especialmente em crianças. Além disso, quadros de ansiedade, depressão ou transtornos alimentares também podem contribuir para a seletividade.

  1. Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo (TARE)

O padrão alimentar seletivo também pode estar associado ao TARE, mais comum na infância. Esse transtorno envolve rejeição extrema a certos alimentos, falta de interesse por comer e medo das possíveis consequências de ingerir determinados alimentos. É frequentemente observado em pessoas com autismo.

  1. Fatores familiares e culturais

O ambiente tem grande influência sobre os hábitos alimentares. Excesso de controle dos pais, falta de variedade em casa ou refeições realizadas sob tensão e estresse também podem contribuir para o surgimento da seletividade alimentar.

Como tratar a seletividade alimentar?

Vivemos em um cenário marcado pelo terrorismo nutricional — um excesso de informações contraditórias que circulam diariamente sobre o que se deve ou não comer. Um dia o ovo é considerado benéfico, no outro, vilão. Esse ruído constante pode gerar ansiedade em relação à alimentação, levando algumas pessoas a desenvolverem medo de certos alimentos e, em alguns casos, até mesmo seletividade alimentar.

É importante lembrar que todos temos preferências e aversões alimentares. Isso é normal e faz parte da relação individual com a comida. Ninguém precisa gostar de tudo. No entanto, quando essas aversões se tornam muito intensas a ponto de gerar uma alimentação extremamente restrita e monótona, é essencial ficar atento.

Cultivar uma relação equilibrada com a comida, que envolva liberdade, prazer e variedade, pode ser uma forma de proteção contra a seletividade alimentar. Evitar a demonização dos alimentos e permitir-se comer de tudo, com moderação, ajuda a reduzir medos e comportamentos restritivos.

No caso das crianças, a formação de bons hábitos alimentares desde a introdução alimentar é fundamental. Permitir que os pequenos explorem os alimentos com todos os sentidos, oferecendo comida fresca e caseira, em horários regulares e sem distrações, contribui para uma relação mais saudável com a alimentação. Mas é importante evitar excessos de controle, que podem gerar ainda mais resistência e ansiedade.

Vale lembrar também que a seletividade alimentar pode estar ligada a diversos fatores. Algumas pessoas desenvolvem esse comportamento por questões de saúde, como no caso de doença celíaca, alergias ou doenças inflamatórias intestinais. Nessas situações, o receio de apresentar reações físicas ou emocionais negativas diante dos alimentos pode desencadear repulsa.

Diante de quadros mais complexos, em que a alimentação restritiva compromete a saúde física ou emocional, o ideal é buscar ajuda profissional. Médicos, nutricionistas, psicólogos e outros especialistas podem identificar possíveis causas e indicar o tratamento mais adequado.

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Referência

ESPOSITO, Marco et al. Food selectivity in children with autism: Guidelines for assessment and clinical interventions. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 20, n. 6, p. 5092, 2023.

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