Nos deparamos diariamente com capas de jornais, revistas e matérias na internet com listas enormes contendo alimentos prejudiciais à saúde. As manchetes são sempre alarmantes: “Conheça os dez alimentos mais prejudiciais para a sua saúde”, “Os piores alimentos do mundo para sua saúde”, e por aí vai.

E, quando lemos a matéria, vem o susto: sempre tem pelo menos um alimento que costumamos consumir (e que adoramos) presente nessas listas. Nesse caso, o que fazer?

Primeiro, precisamos rever alguns conceitos sobre a comida. Repito com frequência em meu consultório que não existem alimentos bons ou ruins, apenas alimentos.

Nenhum alimento por si só tem o poder de causar uma doença, assim como nenhum alimento tem o poder de cura. Já o nosso estilo de vida é um dos fatores que está mais envolvido com as predisposições (ou não) às doenças, ou seja, o que fazemos no nosso dia a dia pode aumentar ou diminuir as chances de desenvolver determinada doença. Falarei mais sobre isso a seguir.

A dieta do medo

Categorizar alguns alimentos como prejudiciais à saúde faz parte do que chamamos de terrorismo nutricional. A todo momento somos bombardeados com informações conflitantes sobre o que comer ou não comer, e isso acaba gerando muita confusão e até medo de determinados alimentos.

É sempre bom lembrar a trajetória do coitado do ovo – tempos atrás ele era o verdadeiro vilão da alimentação saudável, e hoje ele é o queridinho das dietas de capa de revista.

No entanto, algumas pessoas têm medo de consumir ovo até hoje, sendo que o ovo nunca foi responsável por mal algum. Sempre surge um novo vilão para integrar o grupo dos alimentos prejudiciais à saúde e uma nova dieta visando a restrição desse alimento.

Por isso, é fundamental termos cuidado e avaliarmos sempre de onde vêm essas informações que estão circulando por aí. Caso você ainda tenha muitas dúvidas acerca desse assunto, o ideal é consultar um nutricionista da sua confiança.

Os tipos de alimentos: in-natura ou processado?

É interessante entender quais são as diferenças entre os alimentos, pois isso vai facilitar com que você faça as melhores escolhas para o seu dia a dia, sem terrorismo. A qualidade dos alimentos podem ser divididos, de acordo com o grau de processamento seguindo o novo Guia Alimentar para população brasileira e a classificação NOVA, segue um resumo:

  • Grupo 1: alimentos in natura ou minimamente processados. Alimentos in natura são, essencialmente, partes de plantas ou de animais, como carnes, verduras, legumes e frutas. Alimentos minimamente processados são aqueles submetidos a processos que não envolvam agregação de substâncias ao alimento original, como limpeza, moagem e pasteurização. Alguns exemplos são arroz, feijão, lentilha, cogumelos, leite, frutas secas e sucos de frutas sem adição de açúcar ou outras substâncias, castanhas e nozes (sem sal ou açúcar), ervas e especiarias, farinhas de mandioca, de milho, de tapioca e de trigo. As massas frescas e secas, quando feitas só de farinha e água, também estão no Grupo 1.
  • Grupo 2: ingredientes culinários processados. Esses alimentos são usados nas cozinhas das casas ou de restaurantes para temperar e cozinhar alimentos. Em geral, passam por processo de moagem, prensagem ou refino. Alguns exemplos: manteiga, óleo vegetal, açúcar, mel e sal.
  • Grupo 3: alimentos processados. Esses alimentos são fabricados pela indústria com a adição de sal ou açúcar para torná-los duráveis e mais palatáveis e atraentes. Esse grupo inclui conservas em salmoura (cenoura, pepino, ervilhas, palmito), compotas de frutas, carnes salgadas e defumadas, sardinha e atum em lata, queijos e pães.
  • Grupo 4: alimentos ultraprocessados. Os ultraprocessados são formulações industriais que geralmente contam com pouco ou nenhum alimento inteiro. Eles contêm aditivos que podem ser considerados cosméticos. Alguns exemplos: salsichas, biscoitos, geleias, sorvetes, chocolates, molhos, misturas para bolo, barras energéticas, sopas em pó, macarrão e temperos instantâneos, “chips”, refrigerantes, produtos congelados e prontos para aquecimento, como massas, pizzas, hambúrgueres e nuggets.

Adaptado de: Classificação NOVA, 2016 e Guia alimentar para a população brasileira, 2014.

Alimentos prejudiciais à saúde: qual é a verdade?

O Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde coloca que a nossa alimentação deve ser baseada em alimentos in natura ou minimamente processados. A ideia aqui é que o mais natural conversa melhor com o nosso corpo, ou seja, traz mais nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo.

É fato que os ingredientes adicionados no processo de fabricação podem não conversar tão bem com o nosso corpo quanto os alimentos naturais, principalmente quando se tratam de ingredientes artificiais.

Mas, como vimos, a indústria também pode possibilitar e facilitar o acesso a diversos alimentos importantes para o nosso dia a dia – como a nossa amada dupla arroz e feijão.

O que devemos questionar é: quais tipos de alimentos estão presentes na nossa mesa todos os dias? Quais são os alimentos que habitualmente consumimos?

Isso não quer dizer que devemos banir os alimentos ultraprocessados da nossa alimentação, nem que os mesmos se tratam de alimentos prejudiciais à saúde. Mas sim que esses alimentos devem aparecer com menor frequência na nossa rotina.

Essa mudança de paradigma na relação do ser humano com a comida, focando na qualidade e não na caloria, é o que defendo em meu programa online Efeito Sophie. Durante 6 semanas, através de vídeos e materiais online te ajudarei a transformar essa relação e entender os sinais do seu corpo, como a fome e saciedade. Com essa mudança, os resultados serão graduais e duradouros. Sempre respeitando o ritmo do seu corpo!

Dessa forma, fique tranquilo ao tomar aquele sorvete de chocolate que você comprou no mercado no final de semana, pois isso não é sinônimo de prejuízo à sua saúde. Sempre com prazer e moderação, claro!

Não categorize, priorize!

Sendo assim, para ter uma vida saudável, não categorize os alimentos. Priorize os alimentos que irão conversar melhor com o seu corpo, tanto os que você já gosta quanto os que não fazem parte da sua rotina habitual. Lembre que a variedade também é fundamental para termos diversos nutrientes disponíveis para o nosso metabolismo funcionar adequadamente.

Ao incluir mais alimentos verdadeiros (frutas, verduras, legumes, entre outros) e mais água no seu dia a dia, consequentemente você reduzirá o consumo de alimentos como biscoitos recheados, refrigerantes, entre outros produtos ultraprocessados. Tudo isso sem precisar deixar de lado o sabor e o prazer em comer.

Essas mudanças gradativas na rotina trazem o equilíbrio que o nosso corpo tanto precisa, sem neuras, fazendo as pazes com a comida, com consciência, saúde e qualidade de vida!

E agora que você já está mais consciente sobre essa denominação de ‘alimentos prejudiciais à saúde’, separamos outros conteúdos que você pode se interessar:

E como já falamos anteriormente, o mais importante é entender de verdade a sua relação com a comida. De onde vem suas vontades, seus sentimentos que são atrelados ao ato de comer.

Conta pra mim aqui nos comentários, como está o seu relacionamento com a comida e saúde?

Bon appétit!

3 thoughts on “Alimentos prejudiciais à saúde: eles existem mesmo?

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