Sabe quando uma pessoa com excesso de peso é rotulada como preguiçosa, incompetente ou sem força de vontade? Esses são exemplos claros de estigma de peso. Ao contrário do que muita gente acredita, esse tipo de atitude não promove a perda de peso nem melhora a saúde — na verdade, causa ainda mais prejuízos.
Quer entender tudo sobre estigma de peso e como ele impacta sua saúde física e emocional?
Vem comigo que eu explico para você!
O que é estigma de peso?
Para entender o que é estigma de peso, pode ser interessante, primeiro, refletir sobre o que significa “estigma”. Acredita-se que o termo tenha origem na Grécia Antiga, onde era usado para indicar marcas ou sinais no corpo de uma pessoa que revelavam algo sobre sua condição ou status moral. Cortes, queimaduras ou outras marcas, por exemplo, podiam identificar alguém como escravo, criminoso ou traidor.
Hoje em dia, o estigma ainda carrega essa ideia de desvalorização e descriminação. Quando falamos especificamente de estigma de peso, ele se dirige ao tamanho dos corpos — sejam eles muito magros ou muito gordos —, embora os corpos gordos sejam mais frequentemente alvo desse preconceito.
Pessoas gordas são comumente vistas como preguiçosas, acusadas de não emagrecerem por falta de força de vontade, além de serem percebidas como pouco atraentes e incompetentes. Também quando não existem assentos adequados no transporte público ou equipamentos nos serviços de saúde para as pessoas de tamanho maior, temos sinais de estigma.
Sobre essas pessoas recai toda a responsabilidade pelo tamanho de seus corpos e por seu peso, como se emagrecer fosse algo simples, bastando apenas ter controle, comer menos e malhar mais. A verdade é que esses preconceitos acabam passando despercebidos de tão enraizados que estão na nossa sociedade e cultura.
Quais as consequências do estigma de peso?
Mas qual o real problema do estigma de peso? As consequências para a saúde física e mental não são poucas: bullying entre crianças e adolescentes, aumento do risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, dificuldades de socialização, além de baixa autoestima.
Profissionais de saúde podem agravar esse cenário ao atribuírem todos os problemas de saúde exclusivamente ao peso. Não sei se você já passou por isso, mas é comum chegar ao consultório médico e antes mesmo de o paciente ser avaliado e examinado receber a recomendação de perda de peso.
Isso é estigma de peso e pode acabar fazendo com que muitos pacientes evitem procurar os serviços de saúde, levando ao atraso de diagnósticos e tratamentos importantes.
Em outras palavras, quando alguém — seja um profissional, um familiar, um amigo ou até um desconhecido — julga uma pessoa com excesso de peso na esperança de que ela se sinta culpada e, assim, busque emagrecer “como num passe de mágica”, o efeito costuma ser o oposto. A culpa, na verdade, tende a afastar a pessoa dos serviços de saúde, dificultando ainda mais a busca por ajuda e apoio.
Peso é igual a saúde?
Uma das coisas que leva ao estigma de peso é acreditar que o peso define saúde e que estar magro é sinônimo de estar saudável. No entanto, existem pessoas saudáveis de todos os tamanhos e formas, além de que o contrário também é verdadeiro.
Desse modo, o foco do tratamento da obesidade não deve estar focado no peso, nem o famoso IMC deve ser utilizado como parâmetro diagnóstico. Um bom caminho é direcionar a atenção para a saúde, qualidade de vida e bem-estar.
Não se trata simplesmente de “comer menos” e “se exercitar mais”. Afinal, estamos lidando com uma condição de origem multifatorial, que envolve fatores ambientais, sociais, culturais, genéticos e psicológicos.
Um importante Consenso publicado em 2020 na revista Nature Medicine, produzido por um grupo de especialistas de vários países do mundo, mostra que a obesidade não é uma responsabilidade exclusivamente pessoal e consideram que o estigma de peso não deve ser tolerado.
Assim, apresentam recomendações que envolvem diversos setores da sociedade, orientando desde a mídia, as universidades, os profissionais de saúde e os serviços de saúde a combaterem o estigma de peso, pois esta é uma responsabilidade de toda a sociedade.
É por isso que há bastante tempo venho abordando essa temática. Foi a partir dessa preocupação que idealizei o Manifesto para um Novo Olhar sobre a Obesidade, um evento que busca repensar o tratamento da obesidade, que, como sabemos, tem apresentado falhas em escala global.
Muitos ainda interpretam o combate ao estigma como uma forma de incentivo à obesidade — o que é compreensível, considerando o volume de mensagens que exaltam a busca incessante por emagrecimento e por corpos magros.
No entanto, respeitar as pessoas que vivem com excesso de peso é um passo fundamental para favorecer a adoção de estilos de vida mais saudáveis. Por isso, deixe os preconceitos de lado — tanto em relação aos outros quanto a si mesmo — e vamos combater o estigma de peso, para que todos sejam respeitados e possam viver de forma mais saudável e plena em nossa sociedade.
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Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.
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Referências
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Tradução de Márcia Bandeira de Mello Leite Nunes. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019.
PUHL, Rebecca; SUH, Young. Health consequences of weight stigma: implications for obesity prevention and treatment. Current Obesity Reports, v. 4, p. 182-190, abr. 2015.
RUBINO, Francesco et al. Joint international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature medicine, v. 26, n. 4, p. 485-497, mar. 2020.
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