A leptina é um dos hormônios responsáveis pelo controle da nossa homeostase energética. A função da homeostase energética é manter os níveis de energia no nosso corpo estáveis o tempo todo!

Então, imagina como esse processo deve ser bem regulado! Afinal precisamos de energia o tempo todo para manter nosso corpo funcionando. E o papel da leptina nesse controle é bem específico. Ela vai diminuir o consumo energético e aumentar o gasto energético, processo mais conhecido como termogênese.

Em outras palavras, ela vai diminuir o consumo alimentar e aumentar a “queima” de calorias. Por isso é também conhecida como o hormônio da saciedade.

Onde o hormônio leptina se encontra e exerce suas ações?

Se você se perguntou onde encontrar o hormônio leptina, saiba que ele é produzido pela nossa gordura corporal – pelo tecido adiposo. A leptina vai fazer parte do controle da homeostase energética tanto a curto prazo (após cada refeição) quanto a longo prazo (sempre levando em consideração os estoques energéticos que já existem no nosso corpo).

Para que um hormônio possa desempenhar suas funções ele deve se ligar a receptores nas células. Esses receptores são específicos para cada tipo de hormônio.

E isso não seria diferente para a leptina.

Existem receptores para leptina em várias regiões no nosso cérebro. Então, ela possui funções em regiões relacionadas cognição, emoções e memórias.

Mas onde ela exerce sua função mais importante?

Em uma região bem pequenininha do nosso cérebro que se chama hipotálamo. É essa região que controla nosso comportamento alimentar e termogênese. É como se essa região fosse o quartel general da homeostase energética!

É lá que informações do que, quando e o quanto comemos chegam para controlar a nossa vontade de comer quando estamos com fome e o momento de parar de comer quando já recebemos o que era necessário naquele momento.

E é dessa região que respostas são enviadas para as outras células no nosso corpo responsáveis também por esse controle energético: tecido adiposo (onde o hormônio leptina se encontra), fígado e músculos, que guardam os nossos estoques energéticos.

A comunicação entre essa região cerebral e os estoques de energia está acontecendo o tempo todo! A leptina é liberada durante e depois de uma refeição.

O tecido adiposo detecta a presença de nutrientes entrando e vai produzir e liberar leptina na corrente sanguínea. Essa leptina vai até o quartel general (hipotálamo) e passa a informação de que uma refeição foi realizada e que os estoques energéticos foram repostos.

O hipotálamo vai enviar essa mensagem para outras regiões no seu cérebro e você terá a consciência de que você comeu o suficiente e que é chegado o momento de parar!

Leptina e obesidade: o paradoxo

Agora que você já conhece bem o que é e quais as principais funções da leptina, sabe que sua ação é de extrema importância no controle do nosso comportamento alimentar e do nosso peso corporal.

Uma curiosidade: sabia que a produção de leptina é proporcional à quantidade de tecido adiposo que possuímos?

Isso quer dizer que quanto mais tecido adiposo mais leptina circulante.

Ué… espera… é meio paradoxal isso….

Isso significaria que pessoas obesas teriam mais leptina circulante e consequentemente comeriam menos e teriam um gasto energético maior. Se fosse assim, não existiria obesidade no planeta (veja o que é obesidade)

Mas como nosso corpo não é uma máquina de calcular e está suscetível a falhas… te explico o porquê desse paradoxo.

A obesidade é caracterizada, entre outras coisas, por níveis de leptina elevados no sangue – ou hiperleptinemia – caracterizando um quadro de resistência ao hormônio leptina.

“Resistência a um hormônio” quer dizer que seu corpo não o reconhece direito, ou seja, podem existir problemas na formação da molécula de leptina ou então no receptor que é onde o hormônio leptina se encontra e se liga para realizar suas funções dentro da célula.

Ainda não se sabe exatamente porque isso acontece, mas alguns cientistas supõem que seja devido a uma inflamação de baixo grau presente e, principalmente, persistente na obesidade. Essa inflamação impediria a produção correta onde se encontra o hormônio leptina e dos seus receptores.

E de onde vem essa inflamação?

Na maioria das vezes parece que essa inflamação está associada a alterações metabólicas, efeito sanfona, ao consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras, açúcar e também alimentos altamente processados, aditivos químicos como conservantes, estabilizantes, realçadores de sabor, corantes, acidulantes, reguladores de acidez, antiumectantes… ou seja, alimentos cheios de coisas estranhas e cheios de embalagens!

A propósito, você sabe o que são alimentos processados e ultraprocessados?

O sedentarismo está também relacionado ao desenvolvimento dessa inflamação de baixo grau e crônica, assim como tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse.

Como ter uma boa produção do hormônio leptina? Onde encontrar?

Para se ter uma produção melhor de leptina, o ideal é tentar eliminar as causas da inflamação de baixo grau que vai desencadear os problemas na formação da molécula de leptina e de seu receptor. Para isso: tenha um estilo de vida saudável, durma o suficiente, faça atividade física regular, aprende a lidar melhor com o estresse. Aqui vai algumas dicas:

  • Diminua o consumo de alimentos ultraprocessados. Eles geralmente vêm embalagens com uma série de siglas que você não entende e números e com lista comprida de ingredientes
  • Crie o hábito de ler rótulos! Quanto mais nomes estranhos e números mais longe você deve ficar desses alimentos!
  • Dê preferência a alimentos in natura! Desembale menos, descasque mais!
  • Cozinhe! Assim você utiliza os alimentos o mais próximo possível de como eles são originalmente encontrados na natureza.
  • Faça uma atividade física que te traga prazer! Pode ser qualquer coisa, uma caminhada no bairro, dançar, fazer uma faxina. O importante é se movimentar (aproveitando, aqui vai uma série de exercícios para emagrecer)!
  • Hidrate-se: nada melhor que água para ajudar na eliminação de moléculas que vão aumentar a inflamação.
  • Tenha uma vida mais tranquila. Evite se estressar demais. Fazer uma atividade física pode te ajudar muito nisso. Meditar também pode ser uma ajuda de peso nesse processo (veja como meditar em casa)!
  • Se conecte melhor com seu corpo! Assim você terá mais consciência dos sinais de fome e saciedade que ele manda, controlando melhor o que você come! Veja o vídeo abaixo para saber como colocar isso em prática:

Com essas dicas simples você pode diminuir o risco de que a inflamação se instala e que ela prejudique sua produção de leptina.

Agora que você sabe onde encontrar o hormônio leptina…

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Referências

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Fontes: doi:10.1097/MED

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