Nutrigenômica: quer saber como a comida conversa com seus genes?
A nutrigenômica é uma ciência que investiga como os alimentos influenciam a expressão dos nossos genes. Ela se conecta diretamente com a genética e a epigenética, que também são temas abordados neste blog.
Esta área do conhecimento está transformando nossa compreensão sobre a alimentação, mostrando que os alimentos não são apenas fontes de calorias, mas sim informações para o nosso organismo. Além disso, revela que somos únicos em termos genéticos, o que significa que o que é benéfico para uma pessoa pode não ser para outra.
Embora ainda haja muito a ser explorado dentro da nutrigenômica, aqui você terá a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre esse fascinante campo.
Vem comigo!
O que é nutrigenômica?
Nutrigenômica pode parecer um nome complicado, mas sua ideia é bem simples: é a ciência que estuda como os alimentos “batem um papo” com os nossos genes. Sim, é isso mesmo! A comida que consumimos pode influenciar a forma como nossos genes se expressam, graças aos nutrientes e compostos ativos dos alimentos.
Parece confuso? Calma que eu explico melhor!
Cada pessoa nasce com um DNA único — a menos que você tenha um irmão gêmeo idêntico. Mas mesmo entre gêmeos idênticos, algumas diferenças aparecem: um pode precisar de óculos, enquanto o outro enxerga perfeitamente; um pode ter mais tendência a ganhar peso; outro pode desenvolver uma doença crônica antes do irmão. Mas por que isso acontece se o DNA deles é o mesmo?
A resposta está na expressão dos genes. Nosso código genético não muda ao longo da vida, mas a maneira como os genes “se ligam” ou “se desligam” pode ser influenciada por diversos fatores, como estilo de vida, estresse, poluição, uso de medicamentos e, claro, alimentação.
É aí que entra a nutrigenômica ou genômica nutricional! Essa ciência busca entender como os alimentos podem influenciar a ativação ou desativação dos genes e, com isso, impactar nossa saúde. Ou seja, seu DNA não é um destino escrito em pedra — o ambiente tem um papel enorme na forma como seu corpo funciona.
Entre os hábitos que influenciam a expressão dos nossos genes, a alimentação é considerada o principal fator. Essa afirmação vem do professor José Ordovás, da Tufts University, nos Estados Unidos, um dos pioneiros da nutrigenômica, com quem trabalhei durante parte do meu doutorado.
Assim, essa ciência mostra como a comida “conversa” com nossos genes e traz muita compreensão sobre como a alimentação se relaciona com a saúde e pode contribuir para prevenir e tratar doenças crônicas.
Comida é muito mais que calorias!
As descobertas da nutrigenômica nos mostram que a comida não é apenas um pacote de calorias, mas sim um verdadeiro carregamento de informações para o nosso corpo. Os alimentos que consumimos podem influenciar a expressão dos nossos genes.
Mas calma lá… isso não significa que um único alimento vai transformar seu corpo num passe de mágica! Não é assim que funciona. O que importa não é um alimento isolado, mas sim o padrão alimentar — aquilo que você come com frequência no dia a dia.
Então, se você ouvir por aí que determinado alimento ativa ou desativa um gene específico, desconfie. Até o momento, a ciência não tem provas suficientes para afirmar algo do tipo. Ou seja, não dá para dizer: “Coma isso para melhorar aquilo”.
A nutrigenômica também deixa algo muito claro: somos únicos. O que funcionou para o seu amigo ou familiar pode não ter o mesmo efeito em você. Afinal, cada pessoa tem uma combinação genética diferente e uma resposta distinta aos alimentos.
Quer um exemplo? A recomendação geral para manter o colesterol equilibrado é reduzir o consumo de gordura. Mas algumas pessoas têm uma reação contrária: quando aumentam a gordura na alimentação, o colesterol diminui. Surpreendente, né? Isso acontece porque existem variantes genéticas que influenciam essa resposta.
Genômica nutricional e testes genéticos: fique atento!
Muitos pacientes chegam ao meu consultório dizendo que fizeram testes genéticos em laboratórios ou farmácias para avaliar predisposição a diabetes, obesidade ou intolerâncias alimentares. Mas aqui vai um alerta: esses testes não são suficientes para esse tipo de análise.
O motivo? Esses testes analisam poucos genes, enquanto o nosso DNA é extremamente complexo. Além disso, essas doenças também são complexas, pois são poligênicas e multifatoriais.
Só para você ter uma ideia, a obesidade está ligada a mais de 500 fatores genéticos. E mais: todos nós temos predisposição à obesidade, só que em diferentes graus. Se não fosse assim, nossos antepassados não teriam sobrevivido aos períodos de escassez, pois acumular gordura foi essencial para a sobrevivência da espécie!
Mas atenção: ter predisposição genética não significa estar destinado a ter obesidade. Isso serve mais como um alerta, e não como uma sentença inevitável. Além disso, o seu DNA pode ter marcadores protetores, que ajudam a equilibrar essa tendência.
Por isso, desconfie de promessas milagrosas e da indústria das dietas, que tenta vender soluções baseadas em testes genéticos simplificados. A nutrigenômica ainda tem muito a evoluir, e a verdade é que a ciência ainda não sabe o suficiente para criar planos alimentares realmente personalizados a partir do DNA. Apesar disso, esses testes podem ser interessantes e motivadores para quem deseja iniciar um processo de mudança
O que sabemos com certeza? Que adotar um estilo de vida saudável e comer mais comida caseira e fresca e ter uma relação de paz com a comida e com o corpo pode fazer muito bem para sua saúde. No fim das contas, essa pode ser a informação mais valiosa que seus genes podem receber!
Saiba mais!
Se está interessado em nutrigenômica, tenho uma dica final para você.
Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda não é estudado nas faculdades.
Após muitos pedidos de profissionais de saúde que entraram em contato comigo, criei a Formação Método Sophie de Terapia Nutricional.
O meu objetivo é apresentar uma Nutrição com Ciência e Consciência e fornecer ferramentas para um atendimento mais personalizado e humanizado, com foco na mudança do comportamento e na construção de uma relação mais saudável com a comida.
A propósito, tive a honra de formar centenas de profissionais de saúde em mais de 20 estados pelo Brasil, entre nutricionistas, médicos e psicólogos.
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Referências
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2024.
ORDOVAS, Jose M. Genotype–phenotype associations: modulation by diet and obesity. Obesity, v. 16, n. S3, p. S40-S46, 2008.












