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Fenótipos da obesidade
Fenótipos da obesidade

Já conhece os fenótipos da obesidade?

A obesidade é uma condição de saúde que cresce no mundo inteiro, tanto entre crianças e adolescentes quanto entre adultos. Para o seu tratamento, são usados, majoritariamente, métodos restritivos, como dietas, cirurgias e medicamentos.

Essas estratégias partem da ideia de que, para tratar essa condição, basta consumir menos e gastar mais energia. Porém, a obesidade não pode ser compreendida de forma reducionista, pois envolve dimensões sociais, culturais, psicológicas, biológicas e genéticas.

Assim, as pessoas vivenciam a obesidade de diferentes formas: algumas podem desenvolver o problema devido à fome emocional e transtornos alimentares, à sensação de fome em excesso, à dificuldade em sentir-se saciado, a um metabolismo mais lento, entre outros motivos.

Considerando essas distintas características, surge o conceito de fenótipos da obesidade. Você já ouviu falar nesse termo? Ele se refere às manifestações e características apresentadas por pessoas que sofrem com o excesso de gordura corporal.

Quer entender melhor? Continue a leitura e descubra como esse conceito pode ajudar a compreender a obesidade de forma mais ampla e personalizada.

Afinal, o que são fenótipos da obesidade?

Antes de compreender o que são os fenótipos da obesidade, é importante diferenciar os conceitos de fenótipo e genótipo.

O genótipo corresponde à constituição genética de um indivíduo, ou seja, ao conjunto de genes herdados dos pais. Já o fenótipo é o resultado da interação entre esse genótipo e o ambiente, refletindo as características observáveis de um organismo.

Um mesmo genótipo pode se manifestar de diferentes maneiras, dependendo de fatores ambientais como estilo de vida, alimentação, nível de atividade física, estresse e qualidade do sono.

Sabe-se que existe uma predisposição genética para a obesidade, mas isso não significa uma sentença definitiva. Uma pessoa pode apresentar predisposição genética sem, necessariamente, desenvolver obesidade, caso os fatores ambientais não favoreçam a expressão desse fenótipo.

Do ponto de vista genético, a forma mais comum de obesidade decorre da influência de múltiplos genes (obesidade poligênica). Entretanto, existe também a obesidade monogênica, menos frequente, causada por alterações em um único gene. Essa forma está geralmente associada a falhas nos mecanismos de controle do apetite.

Já a obesidade poligênica resulta da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais. Nela, centenas de genes (mais de 500 já identificados) estão envolvidos em processos como a regulação da fome, o gasto energético, o metabolismo e a formação do tecido adiposo

Percebe que são muitos elementos envolvidos? Desse modo, também temos várias formas de expressão da obesidade, originando diferentes fenótipos de obesidade.

Os 4 fenótipos da obesidade

Considerando essas diferentes manifestações, pesquisadores têm proposto a classificação da obesidade em 4 fenótipos principais. 

Essa abordagem não se baseia no índice de massa corporal (IMC), que apresenta limitações importantes, mas sim em parâmetros mais abrangentes, como a composição corporal — isto é, a proporção dos diferentes componentes do peso de uma pessoa, incluindo gordura, massa magra (músculos, ossos, órgãos) e água —, além de aspectos relacionados ao metabolismo, gasto energético, mecanismos de saciedade e fatores emocionais.

Dessa forma, os 4 fenótipos da obesidade são:

1- Cérebro faminto 

Nesse fenótipo, a pessoa apresenta dificuldade em perceber a saciedade, precisando consumir uma quantidade maior de comida para alcançar a sensação de plenitude.

A saciedade é o mecanismo que sinaliza ao cérebro o momento de interromper a ingestão de alimentos. Quando esse processo não funciona adequadamente, há tendência ao aumento do consumo. 

2- Intestino faminto 

Esse fenótipo da obesidade caracteriza indivíduos que conseguem sentir saciedade após a refeição, mas a sensação dura pouco, e a fome retorna rapidamente. Isso ocorre, provavelmente, porque o esvaziamento gástrico acontece de forma mais acelerada do que o normal.

3 – Fome emocional 

A fome emocional diz respeito a comer em resposta a gatilhos emocionais. É comum recorrer à comida para aliviar o estresse ou lidar com emoções, mas quando isso se torna frequente e passa a impactar negativamente a vida do indivíduo, pode configurar um problema.

Em níveis mais intensos, pode estar associado a desejos alimentares fortes, ansiedade, sintomas depressivos, episódios de compulsão e outros transtornos alimentares.

4- Gasto energético baixo

Pessoas que apresentam um metabolismo mais lento que o habitual, podem ser classificadas neste fenótipo de obesidade, em que a taxa metabólica reduzida resulta em um gasto energético abaixo do esperado. Ou seja, o indivíduo gasta pouca energia. Em geral, esse caso está associado à menor massa muscular e ao metabolismo diminuído.

Qual a importância dos fenótipos da obesidade?

E como esse conhecimento pode ajudar no tratamento da obesidade no seu consultório?

Identificar o fenótipo predominante permite direcionar estratégias mais eficazes. Por exemplo, quando há baixo gasto energético, não faz sentido propor a redução da ingestão alimentar, já que isso pode diminuir ainda mais o metabolismo.

No caso da fome emocional, dietas restritivas são ainda mais ineficazes. O mais indicado é atuar sobre o comportamento alimentar, com o apoio de um nutricionista comportamental, psicólogo e psiquiatra, especialmente quando há questões de saúde mental mais complexas envolvidas.

Já nos fenótipos ligados à saciedade, estratégias como definir horários adequados para comer, fazer escolhas alimentares equilibradas e desenvolver a escuta do corpo podem trazer melhores resultados.

Ainda assim, é fundamental compreender que o paciente deve ser visto de forma integral. Os fenótipos da obesidade podem servir como uma ferramenta no atendimento e têm sido apontados como uma promessa no avanço da nutrição de precisão – área de conhecimento em desenvolvimento que utiliza dados moleculares e tecnológicos para ampliar a capacidade de oferecer recomendações verdadeiramente personalizadas e eficazes. 

No entanto, é importante lembrar que uma mesma pessoa pode apresentar, simultaneamente, diferentes características, como fome emocional associada a metabolismo lento, além de ser impactada por outras questões sociais, culturais, emocionais e fisiológicas.

Por isso, o mais relevante é olhar o paciente como um todo e adotar um novo olhar sobre obesidade, pautado em um tratamento individualizado, respeitoso e livre de estigma de peso.

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Referências

MAYORAL, Laura Perez-Campos et al. Obesity subtypes, related biomarkers & heterogeneity. Indian J Med Res., v. 151, n. 1, p. 11-21, 2020.

ACOSTA, Andres et al. Selection of antiobesity medications based on phenotypes enhances weight loss: a pragmatic trial in an obesity clinic. Obesity, v. 29, n. 4, p. 662-671, 2021.

Se gostou deste artigo sobre fenótipos da obesidade, provavelmente vai adorar ler estes posts que separei para você:

  1. Fique por dentro das recomendações da OMS para uma alimentação saudável
  2. Medicina do estilo de vida: entenda o conceito e como pode ajudar seu paciente
  3. Insatisfação corporal: saiba como lidar com esse desafio no consultório

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