Ter uma criança que aceita tudo e não dá trabalho nenhum para comer é o sonho de muitos pais e mães que têm que lidar, diariamente, com a falta de apetite do bebê. De fato, essa é uma questão que exige paciência, persistência e, por que não, até uma dose de bom humor para encarar tanta careta diante de certos alimentos.

Uma recomendação que eu sempre dou para as pessoas que têm esse tipo de queixa – bastante comum nos consultórios – é que deveriam entender que o bebê sabe a quantidade de comida que ele precisa.

Então, às vezes, o que muitos interpretam como uma falta de apetite no bebê, na verdade, não passa de uma sensação de plenitude – ou seja, ele já comeu o suficiente para suas necessidades naquele momento.

Mas eu também entendo que existem crianças mais exigentes e que algumas já aprenderam até fazer certa chantagem emocional para conseguir algum alimento mais palatável, como doces, farinhas, bolachas ou iogurtes aromatizados, por exemplo. Por isso, hoje, eu reuni 5 motivos que podem causar a falta de apetite no bebê.

Talvez você possa se identificar com um ou mais pontos listados abaixo e, assim, tentar fazer algumas adaptações para que seu pequeno passe a comer um pouquinho mais ou pelo menos comer melhor. Mas, lembre que se o seu filho for acompanhado regularmente pelo pediatra, e se estiver brincando, feliz e saudável, não tem porque se preocupar. Isso indica que ele está bem nutrido.

Agora, se você notar que ele fica doente toda hora, se está muito quietinho e sem energia, pode ser que essa falta de apetite do bebê esteja ligada a alguma outra condição que precisa ser investigada por um médico. As orientações que listo aqui são apenas um primeiro passo para quem está tentando entender de onde vem esse desinteresse pelos alimentos. Vamos lá?

5 causas da falta de apetite no bebê

1. Quantidades exageradas

Na nossa cultura, ainda é comum ouvirmos que “bebê saudável é bebê gordinho”, mas não é bem assim. Cada criança tem seu biotipo! E, como eu disse mais acima, as crianças já nascem com a capacidade de autorregular a própria fome.

Às vezes, o que acontece é uma superalimentação. E, diante da recusa de uma grande quantidade, os pais já acham que o bebê está com falta de apetite.

Sobretudo, lembre-se de que o estômago dele ainda é pequenininho! Não precisa encher o prato: prefira dar porções menores e, se ele quiser mais, vai saber como pedir.

2. Engrossantes/Mingau

Os engrossantes do leite são recursos usados por muitos pais e mães que estão enfrentando a falta de apetite do bebê. No desespero para fazer o filho comer alguma coisa e não passar mais uma refeição em branco, um mingauzinho pode parecer uma boa opção.

No entanto, a maioria destes produtos é de qualidade nutricional baixa , mesmo se está escrito que tem vitaminas, geralmente é rica em carboidratos refinados e açúcares (e eventualmente podem ter excesso de açúcar). Isso irá deixá-lo “cheio”, com uma sensação de saciedade muito grande. Porém, não substituem uma alimentação equilibrada e com nutrientes de qualidade.

Essas não são alternativas adequadas e podem acarretar uma digestão mais lenta, e, consequentemente, uma fome diminuída.

3. Compensar com a famosa mamadeira

O mesmo vale para o leite com café ou com chocolate, vitaminas ou sucos adoçados e refrigerantes – sendo que, estes dois últimos, deveriam entrar como exceção na alimentação do seu filhote, e não como regra. Dê preferência aos alimentos verdadeiros, conforme explicado no vídeo a seguir:

O que acontece geralmente é o seguinte: com medo de que a criança não coma, a mamadeira acaba sendo vista como aliada. Alguns pais dão muitas mamadeiras à noite, ou mantêm o hábito de sempre oferecer depois das refeições, para complementar.

Isso cria um ciclo negativo porque o bebê nunca fica com fome para comer alimentos sólidos. E, assim, a falta de apetite do bebê aparece bem na hora do almoço e do jantar, por exemplo, momentos em que ele deveria ter acesso a um prato variado e colorido.

4. Monotonia e repetição

E por falar em prato variado e colorido, outra coisa que pode causar a falta de apetite no seu bebê é a monotonia. Entendo que algumas crianças “se apegam” a determinados alimentos e só querem comer aquilo! Mas é preciso ter paciência e persistência e tentar oferecer uma grande diversidade de alimentos in-natura como legumes, verduras e frutas, laticinios, carnes de todos os tipos,ovos, grãos. A propósito, tome conhecimento das melhores opções de frutas para iniciar a alimentação do bebê.

Estudos mostram que algumas crianças precisam provar determinados alimentos por mais de oito vezes até se acostumarem com o sabor e passarem a aceitar. Então, não ceda à chantagem: se o seu filho se recusa a comer certas coisas, insista! Tente oferecer em um outro tipo de preparo, ou combinado com outro alimento que ele gosta. Aos pouquinhos, você pode conseguir bons resultados.

5. Muitas distrações: não é bom!

Eu sempre falo da importância de procurar um ambiente tranquilo para poder comer em paz, isso não só para as crianças, mas para os adultos também.

E os bebês, principalmente, estão em uma fase de curiosidade extrema, então, eles se sentem muito estimulados com tudo que tem à sua volta. Muitos pais pensam que o tablet ou a TV podem ser aliados, porque, distraída, a criança pode acabar comendo mais.

Mas isso não é um hábito saudável: o ideal é criar no seu filho a consciência sobre o que ele está comendo. Ele precisa interagir com os alimentos, sentir o cheiro, o gosto, se lambuzar. É isso que vai fazer com que ele crie uma relação boa com a comida e leve isso para a vida adulta!

Bon appétit!

Referências

Aprenda mais sobre a falta de apetite do bebê

Aproveitando que estamos falando sobre alimentação infantil, deixo aqui também a indicação do programa online Efeito Sophie na Alimentação Infantil, que criei em parceria com a nutricionista Janaina Kühn.

Sou também mãe de quatro filhos e quis criar esse programa com o intuito de ajudar milhares de mães e pais de família que buscam uma alimentação equilibrada e fácil de levar no dia a dia.

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