Na Nutrição, todas as regras, crenças e conceitos estão constantemente sendo reavaliados: afinal, não se trata de uma ciência exata! Por isso é super positivo que nós, profissionais da saúde, estejamos sempre conectados e procurando nos atualizar. Na alimentação infantil não é diferente, e, uma das tendências que vem chamando atenção nessa área é a Introdução alimentar dos bebês através da abordagem BLW.

O que é BLW?

Essa sigla é a abreviação da expressão Baby-Led Weaning, ou “desmame guiado pelo bebê”, e propõe uma abordagem diferente para a introdução alimentar da criança a partir do sexto mês.

A idealizadora, a britânica Gill Rapley, sugere que na alimentação BLW para o bebê, se pule a etapa da oferta dos alimentos amassados ou desfiados e já comece  oferecer os alimentos cortados de forma que o bebê possa pegá-los com as mãos.

Como fazer alimentação BLW para o bebê?

Primeiramente, se você está entrando na fase de introdução alimentar e pensando em adotar a alimentação BLW para o seu bebê, converse com o seu pediatra de confiança ou com um nutricionista materno infantil, tire todas as suas dúvidas e descubra se essa abordagem é a mais indicada para o seu filho.

O que vou colocar aqui são algumas dicas básicas que podem ser úteis para quem está tentando entender o método. Então vamos começar com um dos pontos mais importantes, que é a segurança do bebê, de acordo com Rapley.

Um dos grandes medos dos pais com relação à alimentação BLW para o bebê é o engasgo – será que oferecer alimentos inteiros não aumenta a chance da criança engasgar?

Segundo a autora, não, desde que se sigam regras básicas de segurança e dedicando uma atenção extra sobre os alimentos oferecidos. Vamos falar um pouco mais detalhadamente destes dois tópicos.

Alimentação BLW para o bebê: segurança

A primeira indicação de segurança é com relação ao posicionamento da criança. Na hora de comer, ela deve estar sentada na vertical, no colo, em uma cadeira alta ou de frente para a mesa. É importante que tenha espaço suficiente para mexer as mãos e os braços.

O acompanhamento de um adulto responsável é necessário SEMPRE, jamais a criança deve ser deixada comendo sozinha. Por isso, é importante também que as recomendações sobre a alimentação BLW para o bebê seja compartilhada com as demais pessoas que cuidam do seu filho, como babás, avós, tias, tios, professores, irmãos mais velhos, etc.

Alimentação BLW para o bebê: quais alimentos dar?

Outra dúvida comum é saber quais alimentos oferecer, e quais evitar. Rapley recomenda que, no início, a introdução seja feita com aqueles que são fáceis de pegar, que contenham bastões grossos ou tiras mais longas, por exemplo. Gradativamente, você pode ir apresentando uma variedade maior de alimentos.

Importante também pensar na qualidade da alimentação – o ideal é que se ofereça comida de verdade na maior parte do tempo, como frutas ou legumes, carnes de todos os tipos, ovos, arroz, macarrão, etc.

Já quando falamos em quais alimentos evitar, entram na lista castanhas, sementes, alimentos cilíndricos (como uva e tomate cereja inteiros), frutas duras cruas, alimentos pegajosos que podem grudar no céu da boca (como pasta de amendoim), ou seja, alimentos com um maior risco de engasgo.

Tanto na alimentação BLW quanto em outras abordagens de introdução alimentar, não se recomenda alimentos ultraprocessados, como refeições prontas, bolachas, refrigerantes, molhos, etc; porque eles podem carregar um grande teor de sódio, açúcar e gordura.

E agora, falando um pouco de comportamento

Alguns conceitos da alimentação BLW para o bebê comungam com dicas que eu dou quando falo sobre alimentação infantil.

Um deles é o hábito de incluir a criança nas refeições da família: ela não deve ser isolada na hora de comer, ao contrário – pode sentar junto de todos! Não existe comida de criança e comida de adulto, existe comida.

Lógico que, sendo assim, para garantir o aporte de nutrientes necessário e uma boa saúde, reforço mais uma vez que os alimentos in natura devem estar presentes em todas as refeições. E que toda a família tenha o hábito de comer as mesmas coisas!

E para hidratar, nada melhor do que água! Sucos ou refrigerantes não são uma boa pedida durante introdução alimentar.

Também é importante saber respeitar a fome da criança. Muitas mães e pais morrem de medo do bebê passar fome, mas a verdade é que todos nascem com uma sensibilidade muito aguçada com relação aos sinais de fome e saciedade.

Lembre-sempre de que o bebê é dono da sua fome!  Acredite: ele vai saber pedir comida quando tiver fome, assim como saberá parar na hora que se sentir satisfeito.

O ambiente também conta muito. Evite distrações, barulhos muito altos, TV, tablet, celular ou qualquer outra coisa que tire a atenção da criança daquele momento.

Tem dificuldades em fazer o seu bebezinho comer? Então assista esse vídeo do meu canal:

A ideia é potencializar o contato com o alimento, especialmente na alimentação BLW, que prega justamente essa interação direta do bebê com a comida.

Para finalizar, é bom reforçar que tanto o l do Ministério da Saúde  quanto a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirmam que durante a fase da alimentação complementar o bebê pode receber os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também deve experimentar com as mãos, ou seja, não há uma única forma correta de se oferecer os alimentos.

Segundo a SBP, mais evidências e trabalhos científicos precisam ser publicados em quantidade e qualidade suficientes para que se respondam todas as dúvidas em torno desta abordagem. As orientações fornecidas pelos trabalhos publicados até o momento são coerentes com o desenvolvimento infantil, mas limitar um processo complexo a uma única abordagem pode não ser viável para muitas famílias.

Na dúvida, não hesite em conversar com o pediatra ou nutricionista materno infantil do seu filho para que vocês identifiquem, juntos, qual é a melhor forma de apresentar os alimentos para o seu pequeno!

Independente do método, é importante que ele esteja bem nutrido e feliz, e que desde pequeno entenda que a alimentação é parte fundamental para uma boa saúde!

Se você conseguir implementar essa atmosfera na sua casa desde cedo, já estará contribuindo para um desenvolvimento saudável do seu filho – tanto físico quanto mental.

O dia a dia pode ser corrido para muitos pais e mães de família, e às vezes a alimentação é deixada de lado. O importante, independente do método escolhido, é rever crenças e conceitos que possam estar te deixando mais longe de uma alimentação equilibrada, para qualquer idade.

Eu sei que essa é uma dificuldade comum em muitos lares porque atendo e já atendi centenas de pacientes com esse mesmo desafio. Mas é mais fácil do que parece, acredite em mim!

E para as pessoas que não consigo atender por morar longe de São Paulo, eu criei em parceria com a nutricionista Janaina Kühn o programa online Efeito Sophie na Alimentação Infantil .

São quatro módulos online, que podem ser feitos de onde você estiver somente ao se conectar por um computador ou tablet. Com os aprendizados dele, será possível rever sua rotina alimentar, hábitos, deixar de lado o terrorismo nutricional e seguir um caminho de alimentação mais leve e sem estresses.

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Bon appétit!

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