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Ultraprocessados e saúde
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Ultraprocessados e saúde: já pensou sobre?

Você já deve ter ouvido bastante que alimentos ultraprocessados fazem mal e não devem ser parte da alimentação. Tem até que nem os considere como alimentos, mas sim como produtos. 

Não sou a favor de demonizar nenhum alimento, nem mesmo os ultraprocessados. O que recomendo é consumi-los com moderação: não como base da alimentação, mas de forma ocasional, dando prioridade a comida fresca e caseira.

E falo isso com base na ciência. Por isso, quero mostrar e discutir os resultados de um estudo sobre ultraprocessados e saúde, que pode ajudar você a entender melhor o tema e aplicar esse conhecimento no consultório ou em outras situações da sua profissão. Vamos juntos?

Para entender a discussão sobre ultraprocessados e saúde

Antes de entrarmos no estudo propriamente dito e entendermos a relação entre ultraprocessados e saúde, é bom lembrar que em 2009, o professor Carlos Monteiro, da USP, propôs a classificação NOVA, que organiza os alimentos de acordo com o grau de processamento: 

  • In natura ou minimamente processados: aqueles que chegam até nós praticamente como os encontramos na natureza ou com pequenas alterações, como frutas, legumes, verduras, carnes, grãos.

  • Ingredientes culinários: óleos, manteiga, sal e açúcar, usados em pequenas quantidades para preparar alimentos.

  • Alimentos processados: alimentos que recebem adição de sal, açúcar ou gordura, como queijos, compotas e legumes em conserva.

  • Alimentos Ultraprocessados: industrializados ricos em aditivos, sal, açúcar e gordura, com pouca matéria-prima original. Exemplos: refrigerantes, macarrão instantâneo, biscoitos recheados e salsichas.

Com essa classificação, passou-se a dar mais atenção aos alimentos ultraprocessados, e nos últimos anos o maior consumo deles tem sido associado ao aumento dos riscos de obesidade e doenças crônicas. Mas atenção: estamos falando de associação e não que os ultraprocessados causam esses problemas de saúde.

De todo modo, por conta dessas evidências, países como o Brasil e organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam reduzir o consumo de ultraprocessados. No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014 e elogiado mundialmente, traz essas orientações oficiais.

Ainda assim, o tema é amplamente debatido. No Reino Unido, o Comitê Científico Consultivo sobre Nutrição (SACN), por exemplo, foca em macronutrientes (gorduras, proteínas, carboidratos) e grupos alimentares (frutas, vegetais, laticínios), mas não em ultraprocessados.

Esse órgão alega que não há evidências suficientes quanto ao impacto dos ultraprocessados na saúde. O mesmo ponto é levantado pelo Comitê de Diretrizes Dietéticas para Americanos (DGAC).

Tanto o SACN quanto o DGAC sugeriram a realização de estudos de qualidade sobre ultraprocessados e saúde cardiometabólica, como ensaios clínicos randomizados. O SACN, em especial, recomenda que esses estudos comparem alimentos ultraprocessados com alimentos minimamente processados, seguindo as diretrizes alimentares atuais do Reino Unido.

Ultraprocessados e saúde: o que a ciência mostra

Nesse contexto, um estudo britânico publicado na Nature em agosto de 2025 teve como objetivo comparar os efeitos de uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados com outra rica em ultraprocessados, avaliando peso corporal e marcadores de saúde cardiometabólica.

Para investigar a relação entre ultraprocessados e saúde cardiometabólica, pesquisadores acompanharam 50 pessoas com excesso de peso durante 8 semanas. Os participantes seguiram dois tipos diferentes de alimentação: uma baseada em alimentos minimamente processados (MPF) e outra composta por alimentos ultraprocessados (UPF). 

Importante destacar que essas refeições tinham a mesma composição nutricional e foram preparadas de acordo com as diretrizes alimentares do Reino Unido, com quantidades equivalentes de calorias, carboidratos, proteínas, gorduras, fibras e outros nutrientes.

Embora os dois tipos de alimentação tenham levado à perda de peso e que o grupo UPF também tenha apresentado queda no colesterol LDL e na glicemia de jejum, o grupo que seguiu a alimentação MPF apresentou vantagens importantes. 

Além de maior redução de peso e de gordura corporal, o grupo MPF mostrou melhor controle do apetite, menor desejo por alimentos salgados e quedas mais acentuadas nos níveis de triglicerídeos, hemoglobina glicada (um marcador de controle da glicemia) e na vontade de comer de forma geral.

Isso mostra que olhar apenas para nutrientes e calorias não é suficiente. Mesmo com refeições equivalentes, o grau de processamento teve impacto direto em vários marcadores de saúde. 

Por isso, os autores defendem que o nível de processamento dos alimentos deve ser considerado com mais atenção nas políticas públicas e nas diretrizes alimentares, colocando esse fator como peça central no combate às doenças crônicas e na promoção da saúde. 

Ultraprocessados e hábitos saudáveis na prática

O que podemos concluir desse estudo sobre ultraprocessados e saúde? Comer melhor é mais importante do que comer menos, e do que focar em nutrientes isoladamente. Por isso, continuo batendo na mesma tecla da importância de consumir mais comida fresca e caseira.

Com isso, não estou falando de incentivar uma alimentação cheia de neuras e ficar com medo de comer ultraprocessados, mas sim levar os pacientes a buscar um estilo de vida mais saudável, dormindo bem, praticando atividade física regular e prazerosa, gerenciando o estresse e, claro, comendo bem.

Isso quer dizer deixar alimentos ultraprocessados para um consumo ocasional e consumir mais comida fresca e caseira, o que pode ser atingido indo mais à feira e cozinhando mais, mas também escolhendo comer em locais que produzem comida caseira, como os restaurantes a quilo do Brasil.

Sei que cozinhar pode ser algo difícil para muita gente, mas organizando-se, fazendo uma lista de compras, cozinhando para a semana e contando com toda a família para dividir as tarefas, é possível ter mais sucesso nesse objetivo. Inclusive, é isso que nosso Guia Alimentar sugere.

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Referência

DICKEN, Samuel J. et al. Ultraprocessed or minimally processed diets following healthy dietary guidelines on weight and cardiometabolic health: a randomized, crossover trial. Nature Medicine. p. 1-12, 2025. 

Se gostou deste artigo sobre ultraprocessados e saúde, provavelmente vai adorar ler estes posts que separei para você:

  1. Insatisfação corporal: saiba como lidar com esse desafio no consultório
  2. Terapia nutricional: saiba tudo para oferecer um atendimento revolucionário
  3. Medicina do estilo de vida: entenda o conceito e como pode ajudar seu paciente

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