Comportamento alimentar
insegurança alimentar e saúde mental
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Insegurança alimentar e saúde mental: qual a relação?

Você sabe o que é insegurança alimentar? Esse termo costuma aparecer bastante quando falamos em saúde pública, mas ele vai muito além da falta de acesso a alimentos. 

A insegurança alimentar também tem uma relação profunda com a saúde mental, influenciando o modo como as pessoas se sentem, pensam e se relacionam com a comida no dia a dia. 

Já parou para refletir sobre isso?

Então vem comigo entender melhor sobre insegurança alimentar e saúde mental e descobrir por que ele diz tanto sobre o nosso bem-estar.

O que é insegurança alimentar?

Antes de entendermos a relação entre insegurança alimentar e saúde mental, vamos ao conceito de segurança alimentar e nutricional e à classificação da insegurança alimentar.

O conceito de segurança alimentar e nutricional está definido na Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN, Lei nº 11.346/2006) como a “realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”.

No Brasil, a insegurança alimentar é avaliada majoritariamente pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, a EBIA, um questionário composto por 14 perguntas, que busca analisar a percepção de insegurança alimentar de um domicílio. A partir dessa avaliação, os domicílios são classificados em:

  1. Segurança Alimentar: ocorre quando todos os moradores da casa têm acesso constante e estável a alimentos de boa qualidade, em quantidade suficiente para suprir suas necessidades nutricionais.
  2. Insegurança Alimentar Leve: caracteriza-se pela piora na qualidade da alimentação, mas a quantidade de comida disponível ainda é percebida como suficiente. Por exemplo, nesse caso, a família pode não ter acesso a determinados alimentos por falta de dinheiro.
  3. Insegurança Alimentar Moderada: ocorre quando os adultos da família precisam modificar seus hábitos alimentares e passam a reduzir a quantidade de alimentos consumidos. Nessa situação, é comum que crianças e adolescentes sejam priorizados, ou seja, os adultos restringem sua própria alimentação para garantir que os mais jovens continuem se alimentando.
  4. Insegurança Alimentar Grave: representa a situação mais crítica, a fome, em que há uma redução tanto da qualidade quanto da quantidade de alimentos disponíveis para todos os membros do domicílio, inclusive as crianças.

Insegurança alimentar x saúde mental

Agora, vamos entender a relação entre insegurança alimentar e saúde mental e até mesmo com o desenvolvimento de transtornos alimentares.

Em 2024, a proporção de domicílios brasileiros em alguma condição de insegurança alimentar caiu para 24,2% (de 27,6% em 2023) — o que representa aproximadamente 2,2 milhões de lares a menos nessa situação. 

No entanto, ainda há muita gente passando fome e vivenciando a insegurança alimentar em seus diversos estágios, não apenas no Brasil, como no mundo todo.

Por outro lado, há também muitas pessoas que, mesmo tendo acesso diário a alimentos em quantidade e qualidade adequadas, acabam impondo a si mesmas uma privação alimentar, seguindo dietas restritivas, geralmente em busca do emagrecimento.

Embora a origem da angústia seja diferente, tanto quem vive a insegurança alimentar quanto quem se priva voluntariamente de comida pode apresentar ansiedade, culpa e relação conturbada com a comida, pois o nosso cérebro não sabe de onde vem a restrição.

Quando a falta ou a restrição de comida afeta a mente

Dessa forma, a fome ou a restrição podem funcionar como um importante gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Embora a insegurança alimentar não seja, por si só, a causa desses transtornos — afinal, nem todas as pessoas expostas a essa condição os desenvolvem —, existe uma relação clara entre insegurança alimentar e saúde mental

Em pessoas com predisposição, a falta de comida pode desencadear uma série de mudanças no comportamento alimentar, levando o corpo e a mente a entrarem em um estado de alerta. 

Períodos prolongados de restrição modificam o comportamento alimentar e podem até mesmo provocar alterações epigenéticas, influenciando a forma como o organismo responde à fome e ao comer ao longo do tempo.

Também vejo que a restrição voluntária acontece cada vez mais cedo. Às vezes recebo em meu consultório famílias que têm disponibilidade de alimentos, mas cujas crianças desde muito pequenas já experimentam restrições alimentares, muitas vezes até recomendadas por profissionais de saúde.

Nesse contexto, a busca constante por comida surge como um mecanismo de defesa. Desse modo, a pessoa que experimenta a fome ou restrição alimentar voluntária fica pensando todo o tempo em comida. 

No primeiro caso, a preocupação constante surge da incerteza sobre quando e se haverá comida disponível. Já quem está de dieta, apesar de ter alimento no armário, enfrenta outra forma de sofrimento: a sensação de proibição e controle excessivo, que também afeta a saúde mental

Em ambos os contextos, seja pela vulnerabilidade social ou pela restrição autoimposta, o cérebro reage de maneira semelhante, interpretando a falta de alimento como uma ameaça. Por isso, quando a comida finalmente está acessível, é comum surgir o impulso de comer em excesso, como uma resposta natural a períodos de privação.

Combater a insegurança alimentar

Quando falamos de  insegurança alimentar e saúde mental, em qualquer um dos casos de privação: a fome ou as dietas restritivas, a restrição precisa ser combatida.

O nutricionista tem um papel essencial em acolher e transformar comportamentos alimentares que causam sofrimento, ajudando a pessoa a reconhecer e respeitar seus sinais de fome e saciedade. 

Entretanto, é importante reconhecer que nem toda restrição alimentar tem a mesma origem. Enquanto, em alguns casos, ela está relacionada a crenças, padrões estéticos ou tentativas de controle do corpo, em outros, a restrição é imposta por condições sociais e materiais que fogem à escolha individual.

Nesse sentido, o processo se torna mais complexo quando a fome é uma experiência real de insegurança alimentar, marcada por privações e desigualdades. Nesses casos, mais do que questões clínicas a serem resolvidas em consultório, entram em cena dimensões políticas, sociais e culturais, que também fazem parte do campo de atuação do nutricionista, mas que exigem o envolvimento de toda a sociedade para serem enfrentadas.

Afinal, a fome não é desejável quando falta comida, mas é fundamental para apreciar uma refeição com prazer e se reconectar com o próprio corpo.

Por fim, se quer saber mais sobre insegurança alimentar e saúde mental, vale a pena assistir à live que fiz no meu Método Sophie Canal Pro, no YouTube, com Thiago De Raphael Nogueira. Ele é nutricionista e doutorando em Neurociência e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da USP, mestre em Nutrição pela UNIFESP e líder de pesquisa no AMBULIM – IPq-HC-FMUSP, com formações em Transtornos Alimentares, Nutrição Clínica e Gamificação. 

Confira:

https://www.youtube.com/watch?v=My56d9ewpwE 

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A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa. 

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Bon appétit!

Referência

BOAS, Lucas Guedes Vilas. A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) e as principais condicionantes da (in) segurança alimentar no Brasil. Geoconexões, v. 1, n. 15, p. 114-134, 2023.

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  1. Já ouviu falar em estigma de peso?
  2. 7 Dicas para Manter uma Alimentação Saudável
  3. Precisando descobrir como ganhar motivação para emagrecer? Que tal viver um dia por vez?

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