A comunicação é um elemento fundamental em uma consulta com nutricionistas ou outros profissionais de saúde.
Quando se trata de como falar sobre obesidade, é comum que discursos simplistas, como “comer menos e malhar mais”, sejam reproduzidos, assim como atitudes carregadas de preconceito e discriminação, que atribuem a responsabilidade pela obesidade exclusivamente ao paciente.
No entanto, essas abordagens não têm gerado bons resultados, já que a prevalência de obesidade continua aumentando e a tendência é que esse número siga crescendo nos próximos anos.
Considerando que a linguagem e a forma como nos comunicamos no consultório podem contribuir para reduzir o estigma de peso e promover um tratamento mais respeitoso e eficaz, separei 6 princípios para falar sobre obesidade de maneira mais respeitosa e acolhedora.
Vem comigo!
A importância da linguagem ao falar sobre obesidade
Já pensou que falar que alguém é “obeso” pode soar negativo? Essa é uma palavra muito utilizada pelos profissionais de saúde, mas esse é um modo de colocar a condição de saúde antes da pessoa. Pense como seria estranho chamar um paciente que está passando por um tratamento de câncer de “canceroso”. Não parece grosseiro?
É por isso que o mais interessante é falar que alguém “tem obesidade”, “sofre com a obesidade” ou “convive com a obesidade”. Trata-se de expressões simples, mas que podem ter um grande impacto na adesão ao tratamento.
Também é fundamental saber conversar sobre uma perda de peso saudável. Falar sobre o peso pode ser algo muito sensível para muita gente. Então é importante que o profissional de saúde peça permissão para tocar nesse assunto, em vez de afirmar diretamente que os problemas de saúde do paciente estão relacionados ao peso ou definir, de imediato, uma meta de perda de peso.
Adotar essa postura ajuda a evitar que a responsabilidade pela saúde e pelo peso recaia exclusivamente sobre o paciente, reconhecendo que a obesidade é uma condição multifatorial, relacionada a aspectos genéticos, neurocomportamentais, ambientais, sociais, entre outros.
6 princípios para ajudar a como falar sobre obesidade com o paciente
Considerando a importância da linguagem, profissionais de saúde e pesquisadores do Reino Unido produziram uma declaração de consenso, publicada na revista The Lancet, em que definem 6 princípios para falar sobre obesidade.
- Ser positivo
Ser positivo diz respeito a focar naquilo que foi conquistado e não nos objetivos que ainda serão alcançados. Portanto, se o paciente apresentou mudanças comportamentais e de estilo de vida, mesmo que pequenas, isso deve ser destacado.
- Ser prestativo e solidário
Disponibilize apoio e orientação sempre que for adequado e direcione as pessoas para fontes confiáveis de informação. É fundamental também reconhecer que existem diversas abordagens para lidar com o excesso de peso e que aquilo que é eficaz para uma pessoa pode não ser para outra.
- Ter consciência da comunicação não verbal
Falar sobre obesidade de maneira adequada pode ser desafiador, especialmente em um contexto em que o estigma e os preconceitos ainda estão muito presentes. Por isso, além de escolher bem as palavras, é fundamental prestar atenção à comunicação não verbal.
Manter uma postura corporal aberta, que demonstre acolhimento e respeito, é essencial para fortalecer a colaboração e a confiança, contribuindo para que o paciente se sinta confortável para compartilhar suas experiências, sentimentos e dificuldades.
- Ser colaborativo
Procure estabelecer metas em conjunto com o paciente, respeitando sua realidade, suas necessidades e seu ritmo. Em vez de focar na perda de peso como objetivo principal, direcione o plano de cuidado para mudanças comportamentais sustentáveis, como a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis. A perda de peso, se ocorrer, deve ser vista como uma possível consequência natural dessas transformações.
- Ser compreensivo
É essencial adotar uma abordagem empática, evitando atribuir culpa ao paciente. Procure reconhecer os desafios que ele enfrenta, considerando que fatores genéticos, sociais e ambientais, muitas vezes fora de seu controle, também influenciam sua condição.
- Ter consciência da influência do ambiente
A comunicação vai além das palavras e também se expressa através do ambiente. É importante que o profissional de saúde disponibilize cadeiras apropriadas, evitando aquelas com braços ou com limite de peso, que podem não atender adequadamente pessoas com obesidade.
Além disso, é essencial garantir que equipamentos como balanças e esfigmomanômetros estejam preparados para acomodar diferentes tamanhos corporais. Assim, promove-se um atendimento mais respeitoso e eficaz, prevenindo situações constrangedoras.
Esses princípios são bastante interessantes, concorda?
Eles mostram como falar sobre obesidade da melhor forma, contribuindo para um tratamento mais eficaz da obesidade, sem estigma de peso e com base na ciência. Isso é muito importante e é por isso que idealizei o Manifesto para um novo olhar sobre obesidade, que desde 2020 tem se constituído como espaço para repensar o tratamento da obesidade com mais respeito e menos preconceito.
Saiba mais!
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Após muitos pedidos de profissionais de saúde que entraram em contato comigo, criei a Formação Método Sophie de Terapia Nutricional.
Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda não é estudado nas faculdades.
O meu objetivo é apresentar uma Nutrição com Ciência e Consciência e fornecer ferramentas para um atendimento mais personalizado e humanizado, com foco na mudança do comportamento e na construção de uma relação mais saudável com a comida.
A propósito, tive a honra de formar centenas de profissionais de saúde em mais de 20 estados pelo Brasil, entre nutricionistas, médicos e psicólogos.
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Referência
ALBURY, Charlotte et al. The importance of language in engagement between health-care professionals and people living with obesity: a joint consensus statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 8, n. 5, p. 447-455, 2020.












