Não é novidade que a alimentação é um fator modificável que exerce grande impacto sobre a saúde e o bem-estar. Cada vez mais, reconhece-se a importância de uma nutrição personalizada, afinal, o que funciona para um paciente pode não funcionar para outro.
Mas, atualmente, temos avançado ainda mais: além da personalização, fala-se em nutrição de precisão. Já ouviu esse termo?
Essa abordagem combina a personalização com diversos outros conhecimentos, entre eles, os avanços das chamadas ciências ômicas, como genômica, transcriptômica, metagenômica, proteômica e metabolômica, para entender com mais profundidade as necessidades de cada indivíduo.
Está curioso para saber mais sobre a nutrição de precisão? Vem comigo!
O que é nutrição de precisão?
A nutrição de precisão é uma abordagem que oferece recomendações nutricionais com base em diversas características individuais. Entre esses fatores estão a genética, a composição do microbioma e da microbiota intestinal, o perfil metabólico, o estado de saúde, o nível de atividade física, os hábitos alimentares, o ambiente em que a pessoa vive, além de aspectos socioeconômicos e psicossociais.
É importante lembrar que diferente da nutrição personalizada, que já leva em conta as individualidades do paciente por meio de uma boa escuta e avaliação clínica, a nutrição de precisão avança ao integrar dados moleculares e tecnológicos, ampliando a capacidade de oferecer recomendações realmente únicas e eficazes para cada pessoa.
Um dos grandes diferenciais dessa abordagem é o uso das chamadas ciências ômicas — um conjunto de áreas da biologia que estuda o organismo de forma ampla e integrada. Elas incluem:
- Genômica (estudo dos genes),
- Transcriptômica (estudo dos RNA mensageiros – moléculas que funcionam como cópias temporárias do manual de instruções do DNA, informando à célula como produzir as proteínas que o corpo precisa),
- Metagenômica (análise do material genético de comunidades microbianas, como as do intestino),
- Proteômica (estudo das proteínas produzidas pelo organismo)
- e Metabolômica (análise dos metabólitos, que são substâncias produzidas durante o funcionamento do corpo).
Essas informações permitem prever como o corpo de uma pessoa vai reagir a certos alimentos ou padrões alimentares, adaptando as orientações nutricionais de forma ainda mais precisa.
Mas nem tudo é nutrição de precisão
Apesar do potencial da nutrição de precisão, é preciso ter cautela para não banalizar o termo. Um dos riscos é transformar essa abordagem em uma prescrição automática baseada em resultados de exames e testes genéticos, sem compreender o que está de fato acontecendo com aquela pessoa naquele momento da vida.
A precisão não pode fazer com que o olhar global sobre o paciente se perca. O comportamento alimentar, a relação com a comida, o padrão alimentar, o contexto social e emocional — tudo isso continua sendo essencial para uma boa prática nutricional.
Outro ponto importante é a popularização comercial da nutrição de precisão. O mercado tem se aproveitado do crescente interesse por soluções personalizadas e dos avanços em tecnologia para vender produtos e serviços muitas vezes sem base científica sólida. É comum a oferta de serviços nesse ramo, quando na verdade se trata apenas de uma nutrição personalizada, ou nem ao menos isso.
Testes genéticos oferecidos diretamente ao consumidor, como a chamada “dieta do DNA”, são um bom exemplo. Eles prometem respostas simples baseadas em variações genéticas isoladas, como se um único gene fosse capaz de explicar por que alguém ganha peso ou tem dificuldade para emagrecer e acabam levando às dietas restritivas, que como sabemos, não funcionam a longo prazo e ainda podem trazer prejuízos à saúde.
Além disso, esse tipo de teste genético é preditivo, ou seja, não fornece um diagnóstico. Sem falar que genética não é destino. O ambiente e o estilo de vida não mudam os genes que herdamos, apenas podem modular a forma como esses genes se expressam. Isso significa que fatores como alimentação, sono, estresse e atividade física influenciam diretamente quais genes são ativados ou modulados, mas não mudam nosso DNA.
Portanto, interpretar um teste genético de forma isolada, sem considerar o todo, é um erro que pode levar a condutas inadequadas.
Mas claro, quando bem aplicados e bem interpretados, os testes genéticos podem ser úteis. Eles podem, por exemplo, ajudar a entender a tendência de um paciente a produzir mais citocinas pró-inflamatórias, que contribuem para um quadro de obesidade e inflamação crônica. Nesse caso, saber disso pode orientar estratégias nutricionais com foco anti-inflamatório.
Nutrição de precisão também pode ajudar na motivação, mas ainda tem muito o que avançar
Além disso, algumas pessoas relatam maior motivação e adesão ao tratamento quando entendem que, mesmo que os resultados ainda não sejam visíveis no corpo, mudanças já estão acontecendo no nível celular e molecular.
A nutrição de precisão, portanto, não deve ser descartada, mas tampouco pode ser tratada como fórmula mágica. É preciso formação técnica, senso crítico e, sobretudo, responsabilidade ética. Também é bom considerar que ainda tem muito o que avançar.
O nutricionista deve estar atento ao uso adequado das ferramentas da ciência, para que a promessa de individualização não se transforme em picaretagem disfarçada de inovação.
Assim, cabe ao profissional um olhar crítico e responsável, baseado em evidências confiáveis e atualizadas, pois o compromisso com o bem-estar e a saúde do paciente devem estar sempre acima de modismos ou interesses comerciais.
Para entender ainda mais sobre nutrição de precisão, convido você a acessar o Método Sophie Canal Pro no YouTube e assistir a uma live que fiz com Aderuza Horst, nutricionista, doutora e pós-doutora em Ciência dos Alimentos pela USP, além de docente na Universidade Federal de Goiás (UFG) e uma referência em genômica nutricional:
https://www.youtube.com/watch?v=sCA3fESfgo8&t=835s
Saiba mais!
Se gostou desse post sobre nutrição de precisão com o paciente, tenho uma dica final para você.
Após muitos pedidos de profissionais de saúde que entraram em contato comigo, criei a Formação Método Sophie de Terapia Nutricional.
Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda não é estudado nas faculdades.
O meu objetivo é apresentar uma Nutrição com Ciência e Consciência e fornecer ferramentas para um atendimento mais personalizado e humanizado, com foco na mudança do comportamento e na construção de uma relação mais saudável com a comida.
A propósito, tive a honra de formar centenas de profissionais de saúde em mais de 20 estados pelo Brasil, entre nutricionistas, médicos e psicólogos.
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Referência
VORUGANTI, V. Saroja. Precision Nutrition: Recent Advances in Obesity. Physiology, v. 38, n. 1, p. 42-50, 2023.
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