Nutricoaching

Entrevista motivacional na nutrição? Saiba como fazer

A entrevista motivacional na nutrição é uma importante ferramenta para a mudança de hábitos alimentares. As 4 fases da entrevista motivacional são: 

  • Envolver;
  • Focar;
  • Evocar;
  • Planejar.

A entrevista motivacional é uma técnica de aconselhamento em saúde que busca motivar e sensibilizar a pessoa que deseja modificar comportamentos. Isso acontece a partir de uma relação colaborativa entre entrevistado (paciente) e entrevistador (profissional de saúde).

Essa técnica foi descrita no ano de 1983 e tinha como objetivo contribuir com a motivação no tratamento de pessoas dependentes de álcool.

Mas também pode ser aplicada a diversas outras ações que envolvam comportamentos de saúde.

A entrevista motivacional na nutrição, por exemplo, pode ser muito útil ao ajudar os pacientes a aderirem a um tratamento e a adquirirem hábitos alimentares mais saudáveis. Tenho usado-a em meu consultório e realmente a sua aplicação tem me proporcionado resultados positivos.

Quer saber porque você também deveria usar a entrevista motivacional na nutrição

Vem comigo!

Por que usar a entrevista motivacional na nutrição?

A entrevista motivacional na nutrição pode ser muito importante nos atendimentos e na mudança de hábitos alimentares. Ela distancia-se de uma abordagem prescritiva e considera os comportamentos, anseios, sentimentos e dúvidas do paciente. 

O profissional não se coloca em uma posição de especialista no assunto, impondo seus desejos, mas irá atuar em um elemento muito importante: a motivação.

A motivação diz respeito a um impulso que leva o ser humano a agir em busca de seus objetivos e metas. Ela é extremamente importante e explica porque nos comportamos de determinada maneira. 

É comum acreditarmos que uma pessoa é capaz de motivar outra. Mas isso não é verdade. Não podemos motivar o paciente, pois a motivação é individual.

Mas é possível incentivar a sua motivação (uma ferramenta chamada modelo transteórico também pode ajudar nisso em conjunto com a entrevista motivacional), pois todos temos a capacidade de motivação (ou desmotivação), o que chamamos de automotivação ou motivação intrínseca.

Além da motivação intrínseca, temos a motivação extrínseca, mas esta é gerada pelo ambiente. Ela é bem representada por frases como “o endocrinologista falou que preciso emagrecer”, “quero entrar no meu vestido de noiva” e está presente quando fazemos algo para receber um prêmio, para evitar o sentimento de culpa, porque seremos aceitos ou porque a ação é coerente com a nossa vida. 

No entanto, nesses casos não existe muita autonomia, por isso busca-se estimular a automotivação, que parte de dentro.

Mas como evocá-la? Aqui trago as 4 fases da entrevista motivacional que podem ajudar nisso.  

Como aplicar a entrevista motivacional na nutrição? 4 fases

As 4 fases da entrevista motivacional são: envolver, focar, evocar e planejar. A seguir você vai conhecer cada uma delas.

1. Envolver

Já no primeiro contato com o paciente, o profissional deve trabalhar sua capacidade de criar vínculo através de habilidades interpessoais (como saber respeitar, ter empatia, colaborar ativamente e escutar) e de comunicação (fazer perguntas abertas e fechadas, fazer afirmações positivas, resumir as informações para que o paciente tem uma visão geral e organizada do que disse, etc).

A entrevista motivacional na nutrição tem como foco a utilização de perguntas abertas (p. ex.: como você se sente em relação ao seu peso?), mas perguntas fechadas também podem ser utilizadas (p. ex.: quantas refeições você faz ao dia?).

Em qualquer um dos casos, deve-se permitir ao paciente: 

  • expressar suas opiniões, sentimentos e motivações; 
  • escutar com curiosidade; 
  • fazer contato visual demonstrando interesse pelo que a pessoa diz; 
  • e dar uma visão geral do que serão os encontros.

Ainda que o envolvimento deva acontecer durante toda a consulta, iniciar a sessão apresentando o tempo que terão disponível e deixando claro que está disposto a ajudar o paciente é um ótimo começo.

Em uma primeira consulta, essas informações iniciais podem ser seguidas de frases como: “Mas antes de tudo, fale um pouco sobre você”. Isso dará abertura para o paciente fornecer diversas informações importantes para as consultas subsequentes.

2. Focar

Neste momento, o nutricionista deve ter como foco as questões que dizem respeito diretamente à alimentação. Um diário alimentar também pode ajudar bastante nisso.

Durante o envolvimento é possível que essas questões venham à tona, mas caso isso não aconteça o profissional pode perguntar diretamente sobre as mudanças desejadas e a sua motivação. Sugiro utilizar uma frase como esta: “Agora que já me falou um pouco sobre você, que tal conversarmos sobre sua alimentação?”.

O paciente pode apresentar dúvidas quanto ao que deseja e nesse caso a entrevista motivacional na nutrição também permite que sugestões sejam apresentadas.

3. Evocar

A entrevista motivacional na nutrição tem essa fase como a mais importante. Nela, é necessário que todas as habilidades interpessoais e comunicativas sejam colocadas em prática.

Durante a evocação o nutricionista ajudará o paciente a encontrar sua motivação intrínseca, deixando a motivação extrínseca de lado.

Aqui, o profissional deve identificar a ambivalência, que diz respeito à existência de dois sentimentos opostos em relação a uma mesma coisa. Ou seja, quando temos motivos para mudar, mas também temos motivos para permanecer como estamos.

Essa ambivalência deve ser explorada e a vontade de mudar deve partir da pessoa e não do profissional, por isso também deve-se evitar o “reflexo de consertar as coisas” (tendência de apresentar uma solução ao paciente diante de algum problema que ele apresenta em vez de ajudá-lo a encontrar suas próprias soluções).

4. Planejar

Com a motivação estimulada e o paciente dando sinais de que está pronto para mudanças, é o momento de iniciar o planejamento de metas. Elas devem ser sustentáveis, viáveis e funcionar como um guia para o tratamento.

O profissional deve ajudar o paciente a refletir sobre os desafios para a concretização dessas metas e como contorná-los. A cada encontro essas metas devem ser avaliadas e reformuladas caso não sejam realistas.

Nesta entrevista que fiz com um colega do Programa de Transtornos Alimentares – AMBULIM do Instituto de Psiquiatria da USP, você confere um importante papo sobre nutrição humanizada, que pode ajudá-lo ainda mais em sua entrevista motivacional:

 

Quer saber mais sobre entrevista motivacional na nutrição? 

Agora que você já conhece as 4 fases da entrevista motivacional, tenho uma sugestão final para você que gosta de se atualizar e melhorar sempre sua prática profissional. 

Após muitos pedidos de profissionais de saúde que entraram em contato comigo, criei o curso Método Sophie

Ao publicar “O Peso das Dietas”, notei uma necessidade de colegas da área de se atualizarem na ciência da Nutrição em relação ao peso, obesidade e transtornos alimentares, além da área comportamental – algo que ainda é pouco estudado nas faculdades.

O meu objetivo é apresentar uma Nutrição com Ciência e Consciência e fornecer ferramentas para um atendimento mais personalizado e humanizado, com foco na mudança do comportamento e na construção de uma relação mais saudável com a comida.  

A propósito, tive a honra de formar centenas de profissionais de saúde em mais de 20 estados pelo Brasil, entre nutricionistas, médicos e psicólogos. 

Veja o que eles acham da minha metodologia:

 

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E se ainda não for o momento de fazer o curso, fique à vontade também para assistir a uma das minhas próximas palestras ou mesmo agendar uma consulta no meu escritório.

Referência

ALVARENGA, Marle et al. Nutrição Comportamental. 2.ed. Barueri – SP: Manole, 2019.

Se gostou deste artigo sobre entrevista motivacional na nutrição, provavelmente vai adorar ler estes posts que separei para você:

  1. Como fidelizar paciente em nutrição: 8 estratégias éticas
  2. Como elaborar uma anamnese nutricional?
  3. Qual o melhor software para nutricionista? Como escolher? GUIA COMPLETO

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