Uma pesquisa recente que seguiu jovens durante 11 anos mostrou que adolescentes com peso normal, mas que pensam ser gordos, são mais propensos a ganhar peso, especialmente as meninas. “Ver-se gorda, mesmo não sendo, pode realmente fazer com que os jovens com peso normal se tornem obesos quando adultos”, disse Koenraad Cuypers, um pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.


A pesquisa, que analisou a relação entre pesos reais e pesos percebidos em adolescentes, observou que uma das explicações pode ser a adoção de atitudes não saudáveis na tentativa de perder peso. Os jovens que se veem gordos, muitas vezes, mudam os seus hábitos alimentares, pulando refeições, ou fazendo dietas, por exemplo, para perder peso.

Essa variação de atitude pode gerar um ganho de peso ao longo do tempo. Dietas muitas vezes causam mais problemas do que resolvem.

Não só a maioria das pessoas ganha de volta o peso que perdeu com dietas, mas elas também reduzem o metabolismo e alteram os hormônios de tal maneira que a perda de peso se torna cada vez mais difícil.
Isso também pode despertar um eventual transtorno alimentar (por exemplo, comer compulsivamente como resultado da privação).

As meninas de hoje sofrem mais estresse psicossocial do que as suas mães quando eram adolescentes, na tentativa de alcançar um corpo ideal que se fez mais magro ao longo dos anos.

“As normas de peso para a sociedade devem ser alteradas para que os jovens tenham uma visão mais realista do que é normal”, continua Cuypers. “As escola deveriam conversar com as crianças sobre o que são formas normais do corpo, e mostrar que todos os corpos são bonitos.

Em paralelo, é importante que a mídia deixe de apresentar o corpo supermagro como o ideal perfeito, porque não é!”.

É normal e saudável para uma menina ganhar peso e gordura durante a puberdade: tornar-se uma mulher não é engordar, mas sim ganhar curvas e feminilidade. Antigamente, essa transformação era o orgulho da menina. Hoje, infelizmente, é encarada cada vez menos como um acontecimento normal e desejável.

A puberdade é um momento de grande transformação: meninos e meninas antes da puberdade têm aproximadamente a mesma taxa de gordura no corpo (% de massa gorda) e, com a puberdade, a produção de hormônios muda isto. É fisiológico e saudável que as meninas ganhem curvas e massa gorda, pois é neste tecido gorduroso que o corpo vai conseguir sintetizar os hormônios femininos e armazenar energia para uma eventual futura gravidez.

Ao mesmo tempo, os meninos ganham massa muscular, em parte pela secreção de testosterona.
“É injusto!”, me disse uma paciente adolescente. Não é injusto! É a vida e esta vida é maravilhosa! Da mesma maneira que não é injusto o fato de que o seu irmão nunca engravidará ou amamentará o filho dele. É normal e é assim.

Pode parecer difícil ajudar a sua filha a aceitar o corpo dela quando há tantas forças culturais dizendo que precisa ser mais magra, mais bonita, mais “perfeita”.

Se você não tiver certeza de por onde começar, pergunte-se sobre a sua alimentação e o seu peso e o exemplo que você passa para sua filha. O exemplo é a melhor maneira de ensinar hábitos de vida saudáveis. É importante conversar com a sua filha e ajudá-la em casa a não entrar na espiral do efeito sanfona de perda e ganho de peso. Deixe o ambiente da casa o mais saudável possível, porque o mundo exterior é realmente difícil de mudar.

A seguir, uma lista de 10 dicas de atitudes positivas sobre comida, peso e imagem corporal para a família toda!

  1. Seja um exemplo com uma atitude alimentar equilibrada e evite fazer dietas ou comentários sobre ser gordo ou engordar.
  2. Forneça uma variedade de alimentos nutritivos e saudáveis em casa. Faça bolinhos deliciosos e lanches que fornecem nutrientes de qualidade. É importante comer com prazer. Prazer não quer dizer excesso! Coma às vezes pizza e sorvete de creme para ensinar a moderação ao invés da eliminação.
  3. Concentre-se na saúde, não no peso. Se a perda de peso vier como uma consequência de atitudes saudáveis, então ótimo, mas a perda de peso como principal foco está fadada ao fracasso. Fale de saúde ou do que é saudável.
  4. Eduque sobre alimentação saudável de uma maneira geral, sem virar especialista em Nutrição. Todos os nutrientes são importantes.
  5. Tenha como foco “o que comer” e não “o que não comer”.
  6. Ensine a respeitar e a responder aos sinais de fome/saciedade.
  7. Fale positivamente sobre o alimento e o seu corpo.
  8. Ensine que as dietas não funcionam e dê exemplos. Livre-se de todas as balanças e discuta como elas não são importantes. É normal ter uma variação de peso nesta fase da puberdade.
  9. Demonstre que as escolhas alimentares devem ser feitas a partir de uma mistura de desejo, apetite e equilíbrio alimentar.
  10. Converse com a sua filha sobre alimentação-conforto, alimentação-estresse e alimentação-tédio, para ajudá-la a identificar e evitar estes comportamentos na maioria das vezes.

Artigo postado no blog do GENTA em 10 set 2012

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