Com certeza você já viu por aí diversas informações veiculadas nas mídias com uma lista de alimentos que causam câncer, bem como de alimentos anticâncer.
Mas será que essa relação entre alimentação e câncer é tão direta assim? Será que existem, de fato, alimentos que causam câncer e outros que tenham o poder de curar essa doença?
A alimentação, sem dúvida, desempenha um papel fundamental na saúde, incluindo a prevenção de diversas doenças, mas é preciso ter um olhar crítico sobre essas afirmações e entender o que a ciência realmente diz sobre o assunto.
Neste post, vamos explorar essa questão de forma mais aprofundada, desmistificando mitos e trazendo informações baseadas em evidências científicas.
Vem comigo!
Quais são os alimentos que causam câncer?
O câncer é, basicamente, uma doença caracterizada pela proliferação descontrolada de células, que formam tumores e podem se espalhar para outras partes do corpo. No entanto, é mais adequado falarmos em “cânceres”, no plural, pois, apesar de compartilharem essa característica geral, tratam-se de um conjunto de doenças diversas, com comportamentos distintos e particularidades.
Quando o assunto é câncer, há uma grande circulação de mitos, especialmente sobre restrições alimentares e a suposta existência de alimentos que causam câncer ou curam a doença. No entanto, não existem alimentos milagrosos — e isso vale tanto para o câncer quanto para a prevenção e tratamento de inúmeras outras enfermidades. Ou seja, quero dizer que não existe nenhum alimento que por si só pode provocar ou curar o câncer.
A disseminação desse tipo de boato, além de ser cientificamente infundada, pode ser extremamente cruel com aqueles que estão enfrentando um momento difícil, repleto de incertezas, dúvidas e medos. O paciente pode acabar adotando restrições alimentares, que em vez de ajudar podem comprometer seu estado nutricional, aumentando o risco de desnutrição, interferindo na imunidade e dificultando sua recuperação.
Por isso, é essencial que a alimentação seja encarada com equilíbrio e baseada em evidências científicas, garantindo suporte adequado ao paciente durante o tratamento.
Principais mitos sobre alimentos que causam câncer
Quando o assunto é alimentos que causam câncer, ouvimos de tudo. Entre os principais mitos, destacam-se aqueles relacionados aos carboidratos, que, de modo geral, vêm sendo injustamente vilanizados.
Especificamente em relação ao câncer, é comum escutarmos que carboidratos refinados, como pão, farinha de trigo e arroz, “alimentam” os tumores, que eliminar esses alimentos ajuda no tratamento ou até que a quimioterapia pode não funcionar se o paciente continuar consumindo carboidratos.
No entanto, é importante lembrar que os carboidratos são nutrientes essenciais para fornecer energia ao nosso corpo. Todas as células necessitam dessa energia, não apenas as tumorais. O cérebro, por exemplo, depende da glicose para funcionar adequadamente.
Se uma pessoa para de consumir carboidratos, o organismo buscará outras fontes de energia, como as proteínas dos músculos. Isso pode ser prejudicial, pois a manutenção da massa muscular é fundamental para um bom estado nutricional e para minimizar os efeitos colaterais do tratamento contra o câncer.
Mas as fake news não param nos carboidratos. As proteínas também são alvo de desinformação. Circulam afirmações de que proteínas de origem animal, como carne vermelha, ovos e queijos, fazem os tumores crescerem, assim como o mito de que o leite seria cancerígeno.
Na realidade, as proteínas são essenciais para manter a massa muscular e o estado nutricional, contribuindo diretamente para a recuperação da saúde. Alimentos de origem vegetal, como feijões, lentilha e castanhas, são ótimas fontes de proteína e devem fazer parte de uma alimentação saudável.
No entanto, isso não significa que os alimentos de origem animal precisem ser completamente eliminados. O ideal é apenas evitar o consumo excessivo (princípio que vale para qualquer alimento) e reduzir a ingestão de carnes processadas, como salsichas, presunto, bacon e peru defumado, cujo consumo frequente está associado a problemas de saúde.
Se não existem alimentos que causam câncer, também não há alimentos capazes de curá-lo. Ainda assim, a desinformação nessa área é frequente. Alimentos como cogumelo do sol, noni, graviola e chá verde, entre muitos outros, são frequentemente apontados como milagrosos no tratamento da doença.
No entanto, até o momento, não há qualquer evidência científica que comprove essas alegações. O mais importante é adotar uma alimentação equilibrada, baseada na ciência, para garantir suporte nutricional adequado ao longo do tratamento.
Em vez de alimentos milagrosos, coma bem!
Agora você já sabe que não existem alimentos que causam câncer. Mas, claro, isso não quer dizer que a alimentação não seja importante.
Não há dúvidas de que as escolhas alimentares desempenham um papel fundamental na saúde e no tratamento do câncer. No entanto, como já foi mencionado, não existe nenhuma comprovação científica que vincule alimentos específicos ao desenvolvimento ou cura do câncer, uma doença complexa e repleta de particularidades.
Por isso, o melhor a se fazer, seja para prevenir o câncer ou para quem está em tratamento, é adotar uma alimentação saudável. Isso significa ter uma alimentação variada, consumindo alimentos de todos os grupos alimentares, priorizando alimentos frescos e caseiros e reduzindo o consumo de ultraprocessados, como embutidos, biscoitos recheados e refrigerantes.
Além disso, as recomendações vão além da alimentação. O Fundo Mundial para a Pesquisa do Câncer (WCRF) e o Instituto Americano para Pesquisa do Câncer (AICR) estabeleceram 10 recomendações que podem ajudar na prevenção e no tratamento do câncer:
- Ser fisicamente ativo.
- Ter uma alimentação rica em grãos integrais, vegetais, frutas e leguminosas.
- Reduzir o consumo de fast-food e alimentos processados ricos em gorduras, amido e açúcares.
- Reduzir o consumo de carnes vermelhas in natura ou processadas.
- Diminuir o consumo de bebidas açucaradas.
- Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
- Não utilizar suplementos para prevenção de câncer.
- Para as mães: se possível, amamentar seu bebê.
- Manter um peso saudável.
- Se for diagnosticado(a) com câncer: seguir as recomendações acima.
Por fim, não acredite em tudo o que lê sobre alimentação. Sempre busque a orientação de profissionais qualificados e de confiança para cuidar da sua saúde!
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A minha missão é te ajudar a fazer as pazes com a comida e corpo, a identificar o seu comportamento e relacionamento diante da comida. Para que, enfim, você possa encarar a alimentação como algo prazeroso, sem estresses e muito menos culpa.
Com algumas dicas práticas, sempre focando na sua saúde e no seu bem-estar, você poderá alcançar o SEU peso saudável, de forma gradual e duradoura. O peso é consequência da sua saúde.
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Referências
DERAM, Sophie. Pare de engolir mitos. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2024.
INCA. Guia de nutrição para pacientes e cuidadores: orientações aos pacientes. 3. ed. Rio de Janeiro: Inca, 2018.
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